Suplementação com extrato de nim melhora imunidade da tilápia, mas exige cautela devido a danos nos órgãos vitais

A busca por produtos à base de plantas para substituir produtos químicos e antibióticos é uma tendência crescente na aquicultura. Com esse foco, um estudo conduzido por pesquisadores do Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), localizado em Florianópolis, em colaboração com a Epagri e a TNS Nanotecnologia, avaliou os efeitos da azadiractina na nutrição de peixes. A azadiractina é um composto bioativo extraído da planta Azadirachta indica, popularmente conhecida como nim, que possui grande potencial microbicida e imunoestimulante. O objetivo da pesquisa foi entender como a adição desse composto encapsulado afeta a saúde e o desempenho zootécnico de juvenis de tilápia-do-nilo criados em sistema de recirculação para aquicultura.Durante 45 dias, os animais receberam dietas contendo concentrações de azadiractina de 20, 70, 120 e 170 miligramas por quilo, além de um grupo controle sem a substância. Os resultados mostraram que o aditivo não gerou diferenças significativas no crescimento dos peixes. Por outro lado, as doses mais altas trouxeram benefícios notáveis para a defesa do organismo. O plasma sanguíneo dos peixes alimentados com 170 miligramas por quilo apresentou uma maior atividade antimicrobiana contra a bactéria Aeromonas hydrophila. Além disso, houve uma redução na contagem de bactérias patogênicas do gênero Streptococcus spp. no intestino dos animais suplementados com altas dosagens em comparação aos peixes do grupo controle.

Apesar das vantagens imunológicas observadas, o estudo revelou que a inclusão da dieta com azadiractina afetou negativamente a estrutura e a saúde geral dos órgãos vitais, prejudicando especialmente o rim e o fígado. A concentração de hemoglobina corpuscular média foi significativamente menor nos peixes do tratamento com a dose mais alta em relação ao grupo controle, indicando possíveis impactos negativos no sangue. As análises também apontaram aumentos significativos no conteúdo de malondialdeído, um marcador que sinaliza a oxidação de lipídios, e na atividade da enzima superóxido dismutase no tecido do fígado, evidenciando que os peixes sofreram estresse oxidativo. A condição geral dos órgãos indicou processos inflamatórios e danos nos tecidos proporcionais ao nível de azadiractina incluído na dieta.

O balanço da pesquisa conclui que a adoção da azadiractina na ração de tilápias-do-nilo resulta em uma combinação de efeitos positivos e negativos. Embora reforce aspectos da imunidade e ajude a reduzir a presença de patógenos perigosos no intestino, o uso exige cautela, pois o composto tem grande potencial para comprometer a integridade de tecidos importantes do peixe. O trabalho destaca que novos estudos são aconselhados para tentar otimizar a dose correta e segura na alimentação desses animais.

Fonte: Impacts of encapsulated azadirachtin (Azadirachta indica) in the diet of Nile tilapia (Oreochromis niloticus)

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