Temperatura da água pode controlar o sexo de rãs na aquicultura

A ciência acaba de dar um passo importante para a otimização da produção de anfíbios. Um estudo conduzido pelo Provincial Key Laboratory of Wildlife Biotechnology and Conservation and Utilization, da Zhejiang Normal University, na China, revelou que a temperatura da água é capaz de influenciar a determinação do sexo da rã-espinhosa-gigante (Quasipaa spinosa). Essa espécie asiática possui alto valor comercial e nutricional, mas atualmente é classificada como vulnerável devido à exploração excessiva e à degradação de seu habitat natural. Por isso, o desenvolvimento de técnicas de aquicultura em cativeiro se tornou uma estratégia central não apenas para equilibrar a demanda do mercado produtivo, mas também para proteger as populações selvagens da espécie.

O experimento térmico

Para entender de forma prática como o ambiente afeta o desenvolvimento reprodutivo desses animais, os pesquisadores cultivaram girinos em três condições térmicas diferentes: baixa temperatura a 18 graus Celsius, temperatura normal a 23 graus Celsius e alta temperatura a 28 graus Celsius. Os resultados mostraram que o grupo mantido na temperatura normal apresentou uma proporção equilibrada de um para um entre machos e fêmeas. No entanto, a alta temperatura induziu de forma expressiva a masculinização do lote, enquanto a baixa temperatura promoveu uma maior feminização dos girinos. Curiosamente, a inversão de sexo não foi total em nenhum dos grupos, o que confirma que o calor atua como um modulador influenciador da genética do animal e não como um fator determinante primário e absoluto.

Regulação epigenética

O segredo por trás dessa incrível transformação está na regulação epigenética, um processo onde fatores ambientais atuam como intermediários críticos que traduzem os sinais do clima em respostas biológicas. A equipe descobriu que a temperatura baixa ativou genes específicos que aumentaram a produção de estrogênio para promover o desenvolvimento feminino. Por outro lado, a alta temperatura suprimiu a atividade de enzimas essenciais para esse processo, resultando no acúmulo de testosterona e, consequentemente, no desenvolvimento de características masculinas. Embora o nível geral de metilação (um processo químico que altera o Ácido Desoxirribonucleico, ou DNA) não tenha mudado de forma global, os caminhos vitais para a síntese e criação de hormônios sexuais sofreram fortes alterações dependentes do calor.

Impacto na aquicultura

Compreender essas intrincadas vias genéticas traz um benefício direto e bastante valioso para o setor aquícola produtivo. Os desafios climáticos impostos pelo aquecimento global e as constantes flutuações térmicas dificultam muito o manejo nas fazendas de rãs, pois condições instáveis podem desregular a proporção natural entre machos e fêmeas, ocasionando uma queda considerável na produtividade. Ao decifrar detalhadamente como a temperatura afeta o desenvolvimento celular, os produtores ganham uma base sólida para manejar e controlar o clima dos tanques. Isso viabiliza o controle exato da população, aumentando a eficiência produtiva, cortando custos e colaborando com a preservação da espécie através da redução da captura na natureza.

Fonte: Temperature influences sex determination in the giant spiny frog (Quasipaa spinosa) via alteration of DNA methylation and transcriptional profiles

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