Tamanho do intestino pode indicar maior resiliência do salmão ao aquecimento global

Para a aquicultura na Tasmânia, Austrália, que fornece mais de 98% da produção nacional de salmão-do-atlântico (Salmo salar), as mudanças climáticas impõem desafios crescentes. Durante o verão, a temperatura da água costuma ultrapassar a faixa ideal de cultivo da espécie, que é de 12 a 18 graus Celsius. Esse aquecimento geralmente ocorre junto com a hipóxia, que é a baixa disponibilidade de oxigênio na água. Para entender a tolerância dos peixes, pesquisadores do Institute for Marine and Antarctic Studies, da University of Tasmania, investigaram a relação entre o sistema gastrointestinal e o crescimento do salmão sob essas condições. Em cativeiro marinho, o animal responde ao calor e à falta de oxigênio reduzindo a alimentação, o que prejudica severamente a sustentabilidade e a qualidade da produção.
Para a pesquisa, 83 peixes foram expostos a um ambiente simulado de verão costeiro por 86 dias, com temperaturas de 19 graus Celsius e oxigênio dissolvido (OD) na faixa de 80%. Em seguida, a equipe aplicou um período de recuperação de 38 dias em condições consideradas ótimas, com a água a 15 graus Celsius e 100% de saturação de oxigênio. Como era previsível, o consumo diário de ração sofreu uma queda de 46% durante a exposição ao calor excessivo. Apesar das condições de criação serem idênticas em todo o tanque, os animais apresentaram uma enorme variação individual de desempenho. Apenas metade do grupo estudado conseguiu manter um ritmo de crescimento positivo e ganhar massa durante as duas fases do experimento.O grande diferencial de crescimento dos melhores exemplares estava escondido na anatomia e na capacidade de adaptação do sistema digestivo. Os cientistas descobriram que os salmões com intestinos relativamente mais longos registraram taxas de crescimento específicas superiores ao longo de toda a avaliação. Além da característica física, a eficiência funcional do órgão foi crucial. Os peixes de maior destaque apresentaram uma capacidade elevada de transporte de substâncias minerais, como sódio, potássio e cloreto, na região central do intestino. Essa habilidade aprimorada de mover íons permite uma melhor absorção de nutrientes essenciais de forma simultânea, mesmo quando o animal está sob grande pressão ambiental.

Surpreendentemente, fatores de reserva metabólica e robustez, como o peso total do intestino e a quantidade de gordura visceral do animal, não mostraram nenhuma relação direta com o crescimento superior. A capacidade fisiológica do intestino de transportar glicose também não afetou o desenvolvimento corporal das amostras. Esses dados científicos apontam para a existência de uma provável compensação de energia por parte do organismo marinho. O peixe parece priorizar o desenvolvimento de um intestino mais longo para maximizar o tempo e a eficiência da digestão da ração, mas sem adicionar peso ou tecido extra, o que exigiria altos e limitantes gastos energéticos de manutenção corporal durante períodos difíceis. Essas conclusões ajudam a traçar novas estratégias de manejo e facilitam a seleção genética em fazendas marinhas afetadas pelo clima.

Fonte: Gut phenotype is associated with superior growth performance in Atlantic salmon (Salmo salar) following exposure and recovery from warming and hypoxia

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