O desafio do tratamento de resíduos marinhos
A expansão intensiva da aquicultura tem gerado grandes volumes de efluentes carregados com matéria fecal, metabólitos e sobras de ração. O descarte inadequado dessa carga orgânica leva à eutrofização de ecossistemas aquáticos. O uso de microalgas para biorremediação é promissor, mas esbarra no alto custo energético da colheita mecânica ou química das células, etapa que pode representar até 30% do custo total de produção da biomassa.
Colheita biológica e otimização do efluente
Para viabilizar economicamente essa tecnologia, cientistas da Gyeongsang National University, Chungnam National University e Jeonbuk National University apostaram na colheita biológica. A equipe cultivou C. vulgaris diretamente na água residual de uma fazenda de engorda de linguado. Após quinze dias, essa água, agora rica em microalgas, foi diluída em água do mar em proporções de duas, cinco e dez vezes (D2, D5 e D10), sendo então utilizada para o repovoamento e cultivo de náuplios de Artemia.
Eficiência na purificação e engorda
A capacidade de limpeza da microalga foi rápida e altamente eficiente. Nos primeiros cinco dias de cultivo no efluente bruto, a C. vulgaris removeu 91% do amônio e 100% do fosfato, nutrientes que limitam a qualidade da água. O pico de produtividade de biomassa transformou a água residual em um meio nutritivo ideal, substituindo formulações sintéticas comerciais geralmente exigidas para sustentar a cadeia trófica do plâncton.
Durante a fase de cultivo do microcrustáceo, a diluição de duas partes de água do mar (D2) apresentou o melhor resultado produtivo. As artêmias se alimentaram ativamente das células de C. vulgaris em suspensão e alcançaram um comprimento corporal máximo de 7.880 µm em apenas duas semanas. Os dados revelaram uma correlação direta e forte entre a redução da concentração de clorofila na água e o crescimento acelerado dos organismos.
Economia circular como futuro do setor
O estudo valida um modelo eficiente de recuperação de recursos para fazendas terrestres de piscicultura marinha. A integração da produção de microalgas e artêmias converte o efluente contaminado em uma solução biológica de alto rendimento. Além de mitigar impactos ambientais severos, a adoção desse fluxo operacional dispensa a dispendiosa filtragem de algas e fornece um suprimento contínuo de alimento vivo bioencapsulado, rico em ácidos graxos essenciais para o desenvolvimento larval de peixes.
