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Semaqui 2026 começa na UFSC e leva a aquicultura do laboratório ao prato

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) abriu na manhã de segunda-feira (26) a XXIV Semana Acadêmica da Engenharia de Aquicultura (Semaqui). A solenidade ocorreu no auditório do Centro de Ciências Biológicas (CCB), no campus da Trindade, em Florianópolis, e contou com a participação da Reitoria. A programação segue até sexta-feira (30), com palestras, minicursos e apresentação de trabalhos científicos.

Organizado por estudantes do curso de Engenharia de Aquicultura, o evento chega à 24ª edição com o tema “Raízes do Mar: Sustentabilidade e Tecnologia na Aquicultura”. O formato é exclusivamente presencial. A proposta é aproximar profissionais, pesquisadores e estudantes em torno da ciência, da tecnologia e da inovação no setor. Segundo a UFSC, a aquicultura tem grande peso econômico em Santa Catarina, maior produtor nacional de moluscos cultivados.

Da ciência à mesa

Um dos destaques do primeiro dia uniu laboratório e cozinha. Pesquisadores do Laboratório de Camarões Marinhos (LCM) da UFSC dividiram o palco com um restaurante tradicional da Costa da Lagoa, em Florianópolis.

A pesquisa apresentada trata da Aquicultura Multitrófica Integrada (AMTI). Nesse sistema, camarões, peixes, macroalgas e plantas halófitas, que toleram ambientes salinos, são cultivados de forma conectada. Os nutrientes que sobram de um cultivo alimentam o outro. Com isso, a atividade aproveita melhor os recursos e reduz seus impactos ambientais.

Na sequência, a cozinha mostrou como esses ingredientes podem ser valorizados na culinária, com novos sabores e aplicações. O público provou as preparações no próprio auditório.

O primeiro dia também abordou o mercado de trabalho do engenheiro aquícola, o uso de geoprocessamento em projetos de aquicultura e ferramentas de monitoramento ambiental para o cultivo de moluscos e algas. Outra palestra apresentou a trajetória de 20 anos do cultivo de ostras no Nordeste do Pará, principal polo produtor de ostras nativas da Amazônia.

Clima e produção no centro do debate

Nesta terça-feira (27), a programação inclui uma palestra sobre os possíveis efeitos do El Niño 2026/2027 na aquicultura. O tema envolve mudanças na temperatura e nas chuvas, na disponibilidade e na qualidade da água e no risco de eventos climáticos extremos. A pesquisa é desenvolvida no âmbito da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

O dia traz ainda a visão do produtor sobre o cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii, com os gargalos de beneficiamento e acesso a mercados. Uma palestra da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) trata da produção de peixes redondos em sistemas de recirculação de água, conhecidos pela sigla RAS. Nesses sistemas, a água é tratada e reutilizada continuamente, o que amplia o controle sobre o ambiente de cultivo.

Minicursos e novas fronteiras

A quarta-feira (28) é dedicada aos minicursos práticos. Os temas incluem necropsia e diagnóstico de doenças em peixes, avaliação da imunidade de camarões e a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), usada para identificar material genético de patógenos. Outra oficina mostra como transformar aparas, pele, espinhas e carcaças do pescado em produtos de valor comercial.

Na quinta-feira (29), o foco se volta para novas fronteiras da atividade. O Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM) da UFSC apresenta o projeto de produção de juvenis de ouriço-do-mar em laboratório, apontado como nova espécie para a aquicultura catarinense. A programação aborda também o fenômeno das ostras verdes em Florianópolis, a aquicultura celular, que produz pescado a partir do cultivo de células, e a tecnologia de extrusão aplicada à fabricação de rações.

Carcinicultura catarinense no encerramento

A sexta-feira (30) traz um panorama da carcinicultura em Santa Catarina. A palestra trata de licenciamento ambiental, certificação orgânica e da Indicação Geográfica (IG) do Camarão Laguna, selo que vincula o produto à sua região de origem. O evento termina com a cerimônia de encerramento e a premiação dos trabalhos científicos, apresentados nos formatos oral e banner em 17 áreas temáticas.

A programação completa está disponível na página oficial do evento. As novidades são divulgadas no perfil da organização no Instagram.

Fontes: Notícias da UFSC; Semaqui/Even3

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