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Aquicultura mundial substitui hormônios sintéticos por manejo genômico no controle sexual

A aquicultura mundial passa por uma transformação na gestão reprodutiva e na obtenção de populações monossexo para otimizar o ganho de peso e o manejo aquícola. Cientistas da Universiti Putra Malaysia, na Malásia, mapearam a substituição gradual de tratamentos hormonais convencionais por biotecnologias genômicas, intervenções nutricionais e manejo térmico. A transição visa manter o rendimento zootécnico de espécies comerciais enquanto atende a normas ambientais rigorosas e demandas globais por sustentabilidade.

A dependência histórica dos hormônios sintéticos

Durante décadas, a indução hormonal foi a principal ferramenta para direcionar o sexo fenotípico em fazendas aquícolas de diversas regiões. O uso do andrógeno sintético 17α-metiltestosterona na fase de alevinagem consolidou-se como padrão global para produzir lotes masculinizados de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), espécie cujos machos crescem mais rápido e atingem maior peso corporal que as fêmeas.

Entretanto, a persistência desses compostos químicos na água e nos sedimentos gerou alertas sobre impactos ecológicos e segurança alimentar. Como resposta direta a esses riscos, barreiras regulatórias e restrições severas ao uso de esteroides foram instituídas em mercados estratégicos, como a União Europeia, Estados Unidos e China.

Transição para métodos ambientais e funcionais

A urgência por protocolos limpos impulsionou alternativas tecnológicas economicamente viáveis para a piscicultura comercial. Entre elas, a manipulação criteriosa da temperatura durante a fase sensível do desenvolvimento gonadal provou ser capaz de desviar a proporção sexual em peixes com sensibilidade térmica, sem qualquer modificação artificial no DNA.

Em paralelo, aditivos nutricionais ganharam espaço como moduladores fisiológicos. Dietas enriquecidas com formas protegidas de butirato de sódio e fitoestrógenos naturais demonstraram potencial para favorecer o desempenho zootécnico e a diferenciação gonadal, fortalecendo a sanidade dos alevinos sem deixar resíduos sintéticos nos tanques.

Avanço da genômica e edição gênica

A análise de 516 pesquisas publicadas entre 2015 e 2025 revela que o setor ingressou definitivamente na era da precisão genômica. A obtenção de reprodutores supermachos YY viabilizou a geração de progênies masculinas por cruzamento natural, eliminando a exposição de juvenis a químicos.

O sequenciamento cromossômico de alta resolução permitiu mapear genes reguladores cruciais, como amhy, dmrt1, gsdf e bcar1. Ferramentas de edição gênica via CRISPR/Cas9 surgem na vanguarda científica para direcionar rotas gonadais com máxima exatidão. No Brasil, essa biotecnologia alcançou marco prático com o anúncio da primeira tilápia editada geneticamente em escala comercial.

Liderança científica e diversificação aquícola

A produção de conhecimento na área é liderada pela China, responsável por mais de 40% dos artigos publicados, acompanhada por expressivas contribuições de Brasil, Japão e Estados Unidos. Esse dinamismo internacional também impulsionou uma diversificação biológica sem precedentes nos cultivos.

Embora tilápias, bagres e carpas ainda concentrem quase um terço das publicações, a literatura recente já cobre mais de 90 espécies. O avanço inclui salmonídeos, linguados e espécies marinhas de alto valor, como o bijupirá (Rachycentron canadum), consolidando um modelo produtivo seguro e ambientalmente responsável.

Fonte: Sex reversal and determination technologies in fish aquaculture: Insights from a decade of global research

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