A estratégia inovadora do estudo foca em um mecanismo chamado “quorum sensing” (QS), que é um sistema de comunicação usado pelas bactérias patogênicas para coordenar ataques e virulência. Em vez de matar as bactérias diretamente como fazem os antibióticos, a nova técnica utiliza probióticos com ação de “quorum quenching” (QQ), ou seja, organismos capazes de silenciar ou interromper essa comunicação. Durante as análises, os cientistas isolaram 52 cepas de bactérias do gênero Streptomyces, encontradas no fundo do viveiro e no trato intestinal de peixes locais, como a tilápia e a carpa.
Os resultados em laboratório foram muito positivos e demonstraram o poder de defesa dessas bactérias. Metade das cepas de Streptomyces isoladas demonstrou capacidade de combater patógenos que causam grandes prejuízos na aquicultura, como a Aeromonas hydrophila, a Pseudomonas aeruginosa e a Vibrio parahemolyticus. Além disso, a análise genética revelou que cerca de 90% dessas cepas possuem genes responsáveis por produzir uma enzima capaz de degradar e destruir os sinais químicos de comunicação bacteriana. Isso comprova o grande potencial natural desses microrganismos para desarmar ameaças e evitar surtos de infecção.
Uma das cepas estudadas, identificada como S25, chamou a atenção dos cientistas pelo seu alto desempenho. Quando colocada no mesmo ambiente que a perigosa bactéria Pseudomonas aeruginosa, a cepa S25 conseguiu reprimir fortemente a ativação dos genes de virulência do patógeno. Essa descoberta demonstra que o próprio ambiente de cultivo abriga recursos valiosos e eficientes para manter a saúde dos animais. A utilização dessas bactérias benéficas nativas surge como uma ferramenta biológica e ecológica poderosa para proteger os peixes de forma preventiva.
Compreender a comunicação bacteriana e utilizar probióticos locais representa um passo fundamental para um cultivo aquático mais limpo, moderno e livre de antibióticos.
