Gargalo produtivo e estresse oxidativo
A aquicultura intensiva de camarões enfrenta desafios constantes relacionados ao acúmulo de compostos nitrogenados, como amônia e nitrito, que induzem estresse oxidativo e desbotamento da cor corporal. Embora a astaxantina seja amplamente utilizada para melhorar a coloração e a resposta imune, a baixa taxa de digestibilidade do pigmento eleva significativamente os custos operacionais da ração.
Ensaio experimental e dosagens testadas
Para avaliar a interação entre o ambiente de cultivo e o aditivo, a equipe alimentou juvenis de Litopenaeus vannamei com dietas contendo cinco níveis de astaxantina (0, 60, 80, 100 e 120 mg/kg) por 35 dias. Os animais foram mantidos sob dois regimes distintos: sistema de água clara tradicional e tecnologia de bioflocos (BFT).
Ganho de peso e imunidade amplificados
Os resultados revelaram uma interação significativa entre a modalidade de cultivo e o nível do aditivo. No sistema de água clara, o ganho de peso exigiu a taxa máxima de 120 mg/kg de astaxantina para atingir os melhores índices. Em contrapartida, sob bioflocos, a regressão quadrática indicou que o ponto ótimo teórico de crescimento ocorreu com 91,77 mg/kg. O grupo mantido em bioflocos com 80 mg/kg de astaxantina obteve o maior ganho de peso relativo (101,61%) e a maior taxa de crescimento específico.
Além disso, os animais mantidos em BFT com 80 mg/kg apresentaram os maiores níveis de atividade de enzimas antioxidantes e imunológicas, como superóxido dismutase, catalase, lisozima e capacidade antioxidante total, além da menor concentração de malondialdeído, indicando menor dano celular.
Coloração intensa e microbioma equilibrado
A deposição do carotenoide nos tecidos e os parâmetros de cor do camarão cozido mostraram que o biofloco favorece a fixação do pigmento, especialmente no urópode e na carapaça ventral. Os valores de vermelhidão e amarelamento foram significativamente superiores no sistema BFT, mesmo em doses intermediárias do aditivo. A análise de sequenciamento do gene 16S rDNA revelou ainda que a combinação de bioflocos com astaxantina aumentou a diversidade alfabética e reestruturou a microbiota intestinal, promovendo o enrichment de filos benéficos como Actinomycetota e Chloroflexota.
Implicações econômicas para o setor
A integração entre o sistema BFT e a nutrição funcional permitiu uma redução prática de 20% a 24% na exigência diária de astaxantina. Diante disso, os cientistas recomendam a dosagem de 80 mg/kg de astaxantina em sistemas BFT como a melhor estratégia custo-benefício para maximizar o desempenho e a sanidade do camarão-cinza.
