Nutrição e genética: eficiência alimentar em foco

Programas de melhoramento genético são ferramentas essenciais para o sucesso de uma indústria visando obter características de interesse (robustez, crescimento, teor de gordura, coloração, rendimento de filé, entre outros) por meio da seleção de organismos que demonstrem tais características. O nosso grande colunista, Rodolfo Luís Petersen, define e discute claramente esse tópico em uma série de colunas na Aquaculture Brasil (Genética), cuja leitura recomendo.

Eficiência alimentar é uma característica bem relevante para as áreas de nutrição e genética e também para o produtor. Recentemente esse tópico vem recebendo bastante atenção devido à sua influência direta na sustentabilidade da operação. O grande desafio consiste na medição precisa do consumo de ração a nível de indivíduo. Na indústria aquícola, parâmetros zootécnicos incluindo taxas de consumo e conversão alimentar aparente são calculados por unidade experimental (tanque, viveiro) que representa a média da população de indivíduos. Conforme mencionado anteriormente, uma das características desejadas incluídas em programas de melhoramento genético consiste no crescimento, enquanto que a eficiência alimentar pode ser negligenciada devido à dificuldade em adquirir essa característica fenotípica. Nesse contexto, surgem várias perguntas: Crescimento mais rápido decorre de maior eficiência? Qual incremento em taxas de conversão alimentar pode ser adquirido?

Esse ano foi divulgado que pesquisadores noruegueses estão buscando melhorar taxas de conversão alimentar do salmão1 . Resultados preliminares sugerem um incremento de 10% nas taxas de conversão alimentar aparente, resultando em uma economia de até 222 milhões de dólares americanos por ano e reduzindo a pegada de carbono em 7%. A tecnologia se baseia em inteligência artificial e uso de algoritmos complexos para acompanhar o consumo de ração, que foi mensurado pela adição de marcadores-rádio na ração e medido por raio-x. Outro exemplo é de uma empresa vietnamita que cria barramundi (robalo asiático) e acredita em uma melhora de 12% nas taxas de conversão alimentar2 . A estratégia deles consiste em medir eficiência alimentar através de restrição alimentar. Organismos que mantêm o peso durante restrição alimentar de curto período são correlacionados com melhor conversão alimentar.

Acredito que mais exemplos estão por vir nos próximos anos pelo fato de que a maior parte da pesquisa e desenvolvimento nessa área é mantida em confidencialidade pelas empresas. Espero ter trazido um tema novo e otimista para você leitor, ilustrando o potencial de interações de duas grandes áreas aquícolas.

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Veromar

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