Pesquisa no Amapá transforma resíduos de pescados em alimentos nutritivos

Pesquisadores do Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) desenvolveram métodos para transformar resíduos de peixes e crustáceos, frequentemente descartados pelas indústrias, em alimentos de alto valor agregado para consumo humano. O projeto foca no aproveitamento integral da matéria-prima, gerando novas alternativas nutricionais e econômicas.

Tecnologia e nutrição a partir do descarte

Durante o processamento convencional do pescado, uma quantidade significativa de biomassa é perdida por não apresentar apelo comercial direto ao consumidor final. Para reverter esse cenário de perdas, a equipe da UEAP realiza processos rigorosos de higienização, secagem e moagem dessas partes. O resultado é a produção de farinhas com elevado teor proteico e mineral, além de petiscos elaborados com a carne de camarão.

Petiscos criados com aproveitamento integral do pescado. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica

Essas farinhas nutritivas possuem versatilidade e podem ser facilmente incorporadas à produção de panificados, massas, bolos e biscoitos. Quando utilizadas nas proporções recomendadas, elas enriquecem significativamente o valor nutricional dos alimentos do dia a dia sem causar alterações indesejadas no sabor, no aroma ou na textura dos produtos finais.

Sustentabilidade e desenvolvimento local

O uso total do pescado é um dos destaques do projeto, que utiliza o camarão de maneira integral. Segundo os pesquisadores, a aplicação dessas tecnologias reduz o desperdício causado pelo descarte de matéria orgânica. Além disso, a iniciativa fomenta a bioeconomia ao abrir espaço para que trabalhadores e comunidades locais diversifiquem suas fontes de renda.

O fortalecimento de pesquisas voltadas para o aproveitamento de coprodutos acompanha um movimento nacional do setor aquícola e pesqueiro. A criação de ingredientes industriais, rações e bioinsumos a partir de sobras produtivas eleva a oportunidade de renda, além de mitigar desperdícios. No Amapá, esse modelo de economia demonstra que a inovação científica é peça-chave, conforme destacado em reportagem do G1.

Fontes: G1; UEAP

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