Tambaqui ganha modelo nutricional de precisão para engorda em viveiros

Pesquisadores de universidades paulistas e goianas desenvolveram um modelo nutricional inédito para o tambaqui (Colossoma macropomum) criado em viveiros escavados sob condições tropicais. O estudo combinou ensaios controlados em laboratório com dados de desempenho coletados em fazendas comerciais para estimar as exigências exatas de proteína e energia digestíveis ao longo de todo o ciclo produtivo. A iniciativa visa substituir o uso de dietas genéricas na piscicultura, promovendo maior sustentabilidade ambiental e eficiência econômica para o setor.

O gargalo das rações genéricas

Atualmente, a produção de tambaqui na América Latina enfrenta uma lacuna de informações técnicas sobre as demandas nutricionais da espécie, especialmente nas fases intermediária e final de engorda. Essa escassez faz com que a cadeia produtiva recorra a rações comerciais formuladas genericamente para peixes onívoros. O fornecimento de dietas inadequadas impede que o peixe expresse seu potencial máximo de crescimento, além de piorar a conversão alimentar e elevar a excreção de resíduos poluentes na água.

Como o modelo fatorial foi construído

Para solucionar esse desafio, cientistas da Universidade Estadual Paulista (UNESP), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade Federal de Jataí (UFJ) conduziram cinco estudos complementares. Eles quantificaram os gastos nutricionais de manutenção em jejum, a digestibilidade de uma dieta de referência, a eficiência de retenção de nutrientes, a composição corporal do animal e a curva de crescimento real em 27 viveiros comerciais na região de Ariquemes, Rondônia. Os dados foram processados por meio de uma abordagem fatorial, método tradicional em animais terrestres, mas ainda inovador na piscicultura nativa.

Resultados práticos e custos de deposição

Os testes indicaram que a exigência de proteína digestível para a manutenção do tambaqui é de 0,2765 gramas por quilo metabólico ao dia, enquanto a demanda energética ficou estabelecida em 10,84 quilojoules por quilo metabólico diários. A eficiência com que o peixe retém a proteína ingerida foi calculada em 30,82%, e a de energia em 33,47%. Na prática, isso significa que para cada grama de proteína que o tambaqui ganha em tecido, ele precisa consumir 3,24 gramas de proteína digestível; para cada quilojoule depositado, o custo de ingestão é de 3,34 quilojoules digestíveis.

Impacto no manejo e formulação

O modelo gerou projeções práticas que preveem taxas de alimentação realistas, consumo diário de ração em percentual do peso vivo e conversão alimentar para peixes de 10g a 3kg. Embora o sistema tenda a superestimar a necessidade de proteína nas fases iniciais devido ao desenvolvimento do sistema digestivo dos juvenis, ele demonstrou alta precisão e coerência para a fase de engorda comercial. O arcabouço se aplica a viveiros tropicais com temperaturas entre 26°C e 30°C, funcionando como uma robusta ferramenta de suporte à decisão para a nutrição de precisão.

Fonte: Assessment of the energy and protein requirements for tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier 1818) using the factorial approach

- Advertisement -
Veromar

Por que estou vendo isso?

Para manter o conteúdo 100% gratuito, a Aquaculture Brasil conta com o apoio de parceiros referência no setor.

Visitar parceiro →
- Advertisment -
MSD

Por que estou vendo isso?

Para manter o conteúdo 100% gratuito, a Aquaculture Brasil conta com o apoio de parceiros referência no setor.

Visitar parceiro →

Veja também

Posts relacionados