Produção de ostras em Florianópolis acende alerta ambiental e econômico

A produção de ostras em Florianópolis enfrenta uma das maiores crises já registradas na maricultura local. Produtores relatam perdas de até 90% da safra mais recente, colocando em risco não apenas a atividade econômica, mas também a identidade produtiva da região, reconhecida nacionalmente pelo cultivo do molusco.

O cenário levanta preocupações sobre a continuidade da produção nos próximos anos. Florianópolis concentra uma das principais cadeias produtivas de ostras do Brasil, sendo responsável por grande parte da produção nacional. A redução drástica na safra compromete a renda de maricultores, afeta o abastecimento e pode impactar toda a cadeia ligada ao turismo gastronômico.

Alta temperatura da água impacta produção de ostras

De acordo com relatos de maricultores, o principal fator associado à mortalidade em massa das ostras é o aumento expressivo da temperatura da água do mar. Durante o último verão, as condições ambientais se tornaram adversas, comprometendo diretamente o desenvolvimento e a sobrevivência dos moluscos.

Em muitos cultivos, praticamente não houve sobrevivência, o que evidencia a gravidade do fenômeno. As ostras são organismos altamente sensíveis às variações ambientais, especialmente à temperatura e à qualidade da água.

Impactos econômicos e risco para o setor

A queda na produção impacta diretamente a economia local. Maricultores enfrentam prejuízos significativos, enquanto o mercado pode sofrer com a redução na oferta do produto. Além disso, restaurantes e atividades ligadas ao turismo gastronômico, que têm nas ostras um dos principais atrativos, também podem ser afetados.

A situação reforça a necessidade de estratégias para garantir a sustentabilidade da atividade aquícola na região, considerada uma das mais importantes do país.

Soluções baseadas na natureza ganham destaque

Diante desse cenário, cresce a preocupação entre produtores e especialistas quanto à necessidade de adaptação da atividade às mudanças climáticas. O ecólogo marinho e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta, destaca que uma das alternativas pode ser o uso de algas no ambiente de cultivo.

Segundo o pesquisador, o aumento da temperatura reduz a solubilidade do oxigênio na água. As algas, por sua vez, têm capacidade de produzir oxigênio, podendo contribuir para o equilíbrio do ecossistema. A introdução desses organismos no cultivo pode aumentar a disponibilidade de oxigênio e favorecer a sobrevivência das ostras.

Sem medidas de adaptação e mitigação, o setor pode enfrentar dificuldades ainda maiores, colocando em risco uma atividade tradicional e economicamente relevante para Florianópolis.

Leia também: Matéria original na ND Mais

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