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Ostra-de-rocha-dos-trópicos pode remover 77,9% do nitrogênio da Grande Barreira de Corais

Um estudo liderado por pesquisadores da Griffith University e do Blue Economy Cooperative Research Centre, na Austrália, aponta que a integração da aquicultura sustentável de bivalves pode ser uma estratégia complementar poderosa para mitigar as cargas antropogênicas de nitrogênio na Grande Barreira de Corais. A poluição por nitrogênio, originada principalmente de fontes agrícolas e urbanas, representa uma ameaça significativa aos ecossistemas costeiros, contribuindo para o florescimento de algas, hipóxia e degradação de corais. Os pesquisadores utilizaram uma modelagem espacial abrangente para identificar áreas adequadas para o cultivo da ostra-de-rocha-dos-trópicos-de-lábio-negro (Saccostrea echinata), uma espécie nativa promissora, e calcularam seu potencial de remoção de nitrogênio e benefícios econômicos associados.

O gargalo do nitrogênio na Grande Barreira de Corais

As medidas de gestão baseadas na terra implementadas até agora têm sido insuficientes para atingir as metas de qualidade da água na Grande Barreira de Corais. Apesar de investimentos substanciais, o aporte de nitrogênio inorgânico dissolvido (DIN) continua cronicamente elevado. Dados de relatórios recentes indicam um progresso cumulativo de apenas 28,4% em direção à meta de redução de 60% de DIN, com melhorias anuais mínimas. O estudo enfatiza que estratégias inovadoras são necessárias para complementar as ações terrestres e fechar a lacuna de gestão de nutrientes, especialmente em um cenário de crescente demanda global por fertilizantes e alimentos.

Modelando uma solução baseada na natureza

A pesquisa utilizou o banco de dados de modelagem eReefs para avaliar as condições biogeoquímicas da Grande Barreira de Corais e identificar 818,9 km² de área favorável para a aquicultura de Saccostrea echinata. A modelagem considerou restrições ambientais, como temperatura, clorofila-a, oxigênio dissolvido e salinidade, em uma profundidade de 0 a 8,8 metros, ideal para infraestruturas de cultivo. Além disso, foram aplicadas restrições espaciais para evitar conflitos com o tráfego de navegação, áreas protegidas e características geográficas como recifes e ilhas. O modelo baseou-se em densidades de cultivo estabelecidas para sistemas de longline e utilizou taxas de assimilação de nitrogênio de 1,2 kg N por tonelada de ostra.

O potencial de remoção e os benefícios econômicos

A ativação de apenas 43% (352,9 km²) da área identificada como adequada teria o potencial de remover 77,9% (4145 toneladas) da carga total de nitrogênio inorgânico dissolvido antropogênico que chega à Grande Barreira de Corais anualmente. Essa remoção biológica é efetuada através da assimilação do nitrogênio na biomassa da ostra e sua posterior colheita, retirando efetivamente o nutriente do sistema. Economicamente, esse cultivo poderia gerar R$ 2,88 bilhões (AUD 809,7 milhões) em valor de mercado de ostras e um potencial adicional de R$ 3,10 bilhões (AUD 871,6 milhões) anuais em créditos ambientais, conhecidos como Créditos de Recife (Reef Credits), focados na mitigação de nitrogênio.

Uma estratégia complementar e localmente específica

Os pesquisadores destacam que a aquicultura de bivalves não substitui a redução de nutrientes na fonte, mas atua como um amplificador poderoso das medidas existentes. A eficácia dessa estratégia varia entre as regiões de gestão de recursos naturais (NRM) de Queensland, dependendo das cargas de DIN atuais e da adequação das áreas. Em regiões como Wet Tropics e Burnett Mary, onde as medidas terrestres são insuficientes, a aquicultura de Saccostrea echinata apresenta um potencial significativo para fechar a lacuna de mitigação. A modelagem oferece um arcabouço para informar decisões de planejamento e investimento por formuladores de políticas e indústria, promovendo ecossistemas mais resilientes e produção de alimentos sustentável.

Fonte: Integrating sustainable bivalve aquaculture into water quality strategies to mitigate anthropogenic nitrogen loads

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