Ossos de atum e tilápia tornam-se matéria-prima valiosa para implantes médicos

Pesquisadores da Kerala University of Fisheries and Ocean Studies, na Índia, demonstraram que os ossos de atum-gaiado (Katsuwonus pelamis) e tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus) podem ser transformados em nano-hidroxiapatita (n-HAP), um biomaterial essencial para a medicina e odontologia. O estudo foca na valorização de subprodutos da indústria pesqueira, que muitas vezes são descartados como resíduos, transformando-os em componentes biogênicos com alta cristalinidade e biocompatibilidade para a fabricação de suportes médicos.

Processo de extração e pureza do material

A equipe utilizou a técnica de calcinação térmica a 900°C por nove horas para extrair a n-HAP dos ossos limpos e pré-tratados. Este método mostrou-se eficiente na remoção completa de resíduos orgânicos, como colágeno e proteínas, resultando em um pó inorgânico puro e altamente estável. A análise revelou que o material derivado do atum apresentou um tamanho médio de partícula de 44,9 nm, enquanto o da tilápia ficou em torno de 129 nm, ambos dentro da escala nanométrica ideal para aplicações biomédicas.

Estabilidade e semelhança com o osso humano

As análises químicas confirmaram que a n-HAP obtida possui uma proporção de cálcio e fósforo de aproximadamente 1,72, valor muito próximo ao encontrado em tecidos mineralizados naturais. Além disso, o material apresentou excelente estabilidade coloidal e a presença de grupos carbonato, o que favorece a bioatividade e a integração com células humanas. Essas características tornam o produto um substituto viável e de baixo custo às versões sintéticas ou derivadas de mamíferos.

Segurança biológica e potencial de mercado

Testes de citocompatibilidade realizados com células-tronco do folículo dentário humano indicaram que o material é seguro para uso preliminar. Embora tenha ocorrido uma redução moderada na viabilidade celular nas primeiras 24 horas, observou-se uma recuperação significativa após 72 horas, sugerindo uma adaptação celular positiva à superfície do biomaterial. Para os autores, o aproveitamento desses “lados B” da produção pesqueira não apenas reduz o impacto ambiental, mas agrega um valor econômico extraordinário a resíduos que hoje representam um custo de descarte para o setor.

Fonte: Extraction, characterization and biocompatibility evaluation of Nano-hydroxyapatite (n-HAP) from tuna and tilapia bone side streams

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