Casca de quinoa melhora crescimento e defesa do panga sob estresse

Uma pesquisa avaliou a substituição da farinha de peixe por casca de quinoa (QH, casca do grão Chenopodium quinoa) na alimentação do panga (Pangasianodon hypophthalmus) sob estresses combinados de amônia, arsênio e temperatura elevada (NH3+As+T). O estudo durou 105 dias, testou 12 tratamentos e usou 540 peixes em tanques de 100 L. Resultado central: a inclusão de 25% de QH protegeu tecidos, melhorou indicadores de saúde e manteve o desempenho zootécnico.

Glossário rápido

  • QH (casca de quinoa): fração externa do grão, usada aqui como ingrediente proteico vegetal. Saponina (fator antinutricional) foi reduzida por aquecimento antes do uso.
  • NH3+As+T: combinação de amônia (NH3), arsênio (As) e alta temperatura (T = 34 °C) aplicada como estressores.
  • Enzimas antioxidantes: CAT, GST, GPx e SOD (proteção contra radicais livres).
  • AChE: enzima que degrada a acetilcolina (explica a transmissão do impulso nervoso).
  • ALT/AST, LDH/MDH: marcadores de dano e metabolismo hepático/tecidual.

Como foi o experimento

  • Dietas isoproteicas e isocalóricas com QH em 0, 15, 20, 25, 30 e 35%, com e sem estressores (NH3+As+T). Alimentação às 8h30 e 17h00.
  • Estresse induzido com arsenito de sódio e sulfato de amônio e temperatura de 34 °C. Cada tratamento em triplicata (15 peixes por tanque).
  • Otimização de crescimento indicou melhor faixa de substituição entre 25,53% e 26,08%.

O que melhorou com 25% de QH

  • Desempenho: melhor taxa de crescimento, conversão alimentar (FCR, feed conversion ratio), taxa de eficiência proteica (PER, protein efficiency ratio) e taxa de crescimento específico (SGR, specific growth rate). Otimização em ~26%.
  • Estresse oxidativo: queda significativa de CAT (catalase), GST (glutationa S-transferase) e GPx (glutationa peroxidase) em fígado, rim e brânquias, indicando menor produção de radicais livres (espécies reativas de oxigênio). SOD (superóxido dismutase) não mudou de forma significativa.
  • Sistema nervoso: AChE (acetilcolinesterase, enzima neurotransmissora) aumentou no cérebro, revertendo a inibição causada por NH3+As+T.
  • Marcadores hepáticos e metabólicos: ALT (alanina aminotransferase), AST (aspartato aminotransferase), LDH (lactato desidrogenase) e MDH (malato desidrogenase) reduziram em fígado e brânquias, sugerindo menor dano tecidual.
  • Imunidade e sangue: glicose sanguínea caiu; NBT (nitro blue tetrazolium, indicador da atividade fagocítica), proteína total, globulinas e Ig (imunoglobulinas) subiram; razão A:G (albumina:globulina) ajustou; MPO (mieloperoxidase) ficou mais alta nas dietas com 20–30% de QH.
  • Digestão: amilase, protease e lipase aumentaram, indicando melhor digestibilidade.
  • Histopatologia: fígado e brânquias preservados com 25% de QH; no grupo apenas com estresse, houve vacúolos lipídicos, alterações nucleares e lamelas branquiais encurtadas e curvadas.

    Casca de quinoa em grãos crus sobre fundo branco
    Quinoa utilizados como alternativa na ração de peixes

Por que isso importa

A farinha de peixe é insumo “caro e disputado” na aquicultura. Substituí-la em 25% por casca de quinoa — um coproduto agrícola — manteve o crescimento e mitigou estresses simultâneos de amônia, arsênio e calor (34 °C) no panga. O trabalho aponta uma alternativa de menor custo e com efeitos antioxidantes e imunomoduladores (redução de CAT, GST, GPx; aumento de AChE, Ig, NBT), com ótimo de desempenho em ~26% de substituição.

Conclusão: substituir 25% da farinha de peixe por casca de quinoa é estratégia eficaz para crescimento, saúde e resistência a múltiplos estresses no panga, com ótimo técnico próximo de 26%.

Estudo original / referência

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