Microalgas na aquicultura: Colômbia transforma criação de peixes em bioeconomia circular

Uma pesquisa realizada por especialistas do Centro de Pesquisa em Bioeconomia Circular da Universidade Autónoma de Bucaramanga (UNAB), na Colômbia, demonstrou como a integração do cultivo de microalgas pode tornar a piscicultura artesanal mais sustentável e lucrativa. O estudo focou na transição de um modelo linear tradicional para uma economia circular, utilizando efluentes da criação de “tilápia vermelha” (Oreochromis spp.) para cultivar a microalga Spirulina.

Inovação Tecnológica e Sustentabilidade

A proposta utiliza um sistema de biorreatores de canal aberto (open-raceway pond – ORP) para tratar a água rica em nutrientes descartada pelos tanques de peixes. Esse processo permite a recuperação de nutrientes e a racionalização do uso de água doce, um recurso cada vez mais pressionado pela expansão da aquicultura global. Além disso, o sistema opera de forma energeticamente autônoma, alimentado por uma pequena fazenda solar fotovoltaica, o que reduz a pegada de carbono da operação.

Benefícios para o Produtor

A integração traz vantagens econômicas diretas para os piscicultores de pequena escala:

  • Redução de Custos: A biomassa de algas colhida pode substituir parcialmente a ração comercial, que representa um dos maiores custos da produção.
  • Substituição Eficiente: Testes em escala piloto validaram que a Spirulina pode substituir satisfatoriamente até 25% da ração de tilápias na fase de alevinos sem prejudicar o crescimento.
  • Renda Extra: O excedente de microalgas produzido pode ser vendido, gerando uma segunda fonte de receita para as comunidades locais.

Resultados Ambientais

A Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) revelou que o cenário de “circularidade aprimorada” (onde a água tratada pelas algas retorna aos tanques de peixes) apresenta indicadores significativamente melhores do que a piscicultura tradicional:

  • Menor Poluição: Houve uma redução drástica no potencial de eutrofização (excesso de nutrientes que causa algas nocivas em rios e lagos).
  • Eficiência de Recursos: O modelo circular reduziu o consumo de água e a emissão de gases de efeito estufa.
  • Desafio da Toxicidade: O estudo alertou que o uso de fertilizantes químicos para o cultivo inicial das algas ainda impacta indicadores de toxicidade, sugerindo que o uso de microbiota local pode ser uma solução futura.

Os pesquisadores recomendam o uso da biomassa para aplicações básicas in situ, sem processos complexos de refinamento, garantindo que a tecnologia permaneça acessível e sustentável para produtores de baixa renda em regiões isoladas.

Para saber mais sobre os dados operacionais e as métricas de impacto ambiental deste estudo, o artigo completo está disponível na revista Algal Research.

Fonte: From linear to circular bioeconomy: Case study and life cycle assessment of integrating small-scale freshwater aquaculture with microalgae cultivation

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