Bioflocos e probióticos caseiros influenciam microbiota de tilápias e bagres asiáticos

Pesquisadores da Universidade de Dhaka, em Bangladesh, investigaram a fundo a composição das comunidades bacterianas em sistemas de criação de tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus) e bagre asiático (Heteropneustes fossilis) sob a tecnologia de bioflocos. O estudo comparou o uso de probióticos comerciais e formulações caseiras, revelando que, embora a água dos tanques apresente uma diversidade microbiana superior à dos peixes, há uma presença alarmante de bactérias multirresistentes a antibióticos no ambiente de cultivo. A pesquisa utilizou uma combinação de métodos de cultivo dependentes e metagenômica de 16S rRNA para traçar o perfil completo desses ecossistemas.

Abordagem metagenômica e cultivo bacteriano

A equipe de cientistas aplicou técnicas avançadas de sequenciamento para comparar as comunidades bacterianas presentes em diferentes fontes: probióticos (comerciais e caseiros), água de cultivo e o intestino dos peixes criados tanto em tanques de bioflocos quanto em viveiros de terra. Os resultados mostraram que os filos Proteobacteria, Firmicutes, Fusobacteriota e Bacteroidota foram os mais prevalentes em todas as amostras analisadas. A análise demonstrou que a água dos sistemas de bioflocos funciona como um reservatório de alta riqueza bacteriana, superando significativamente a diversidade encontrada no trato digestório dos animais.

Diversidade bacteriana nos sistemas de cultivo

No intestino das tilápias (Oreochromis niloticus), o gênero Bacillus foi predominante, independentemente de os peixes terem sido criados em bioflocos ou em viveiros tradicionais. Já o bagre asiático (Heteropneustes fossilis) apresentou variações notáveis: enquanto nos viveiros de terra o filo Fusobacteriota era prevalente, nos sistemas de bioflocos houve um aumento expressivo de Proteobacteria e de gêneros como Lactobacillus e Enterobacter. Essa adaptação sugere que o ambiente de bioflocos influencia diretamente a colonização intestinal, embora muitos microrganismos da água sejam transitórios.

O papel dos probióticos comerciais e caseiros

O estudo revelou diferenças marcantes entre os tipos de probióticos utilizados pelos produtores. Os produtos comerciais apresentaram uma composição quase exclusiva de Firmicutes (98,54%), com destaque para os gêneros Bacillus e Lysinibacillus. Por outro lado, a formulação caseira preparada pelos próprios fazendeiros com arroz polido, açúcar mascavo e sal apresentou uma comunidade dominada por Proteobacteria, com forte presença do gênero Acetobacter. Curiosamente, as cepas isoladas do probiótico caseiro mostraram índices de resistência a antibióticos significativamente menores.

A ameaça da resistência antimicrobiana

Um dos achados mais críticos da pesquisa foi a alta prevalência de resistência antimicrobiana (AMR). Dos 27 isolados bacterianos testados, 19 foram classificados como multirresistentes, apresentando resistência a três ou mais compostos. Quatro isolados específicos, incluindo cepas de Bacillus subtilis e Serratia marcescens, mostraram resistência a todos os 15 antibióticos testados. Os autores alertam que o uso indiscriminado de antibióticos na aquicultura está gerando bactérias de alto risco, reforçando a necessidade urgente de alternativas sustentáveis e de um monitoramento rigoroso da sanidade aquícola.

Fonte: Culture-dependent and -independent analysis of bacterial diversity in biofloc-based aquaculture systems enriched with homemade formulation of probiotics

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