Abordagem metagenômica e cultivo bacteriano
A equipe de cientistas aplicou técnicas avançadas de sequenciamento para comparar as comunidades bacterianas presentes em diferentes fontes: probióticos (comerciais e caseiros), água de cultivo e o intestino dos peixes criados tanto em tanques de bioflocos quanto em viveiros de terra. Os resultados mostraram que os filos Proteobacteria, Firmicutes, Fusobacteriota e Bacteroidota foram os mais prevalentes em todas as amostras analisadas. A análise demonstrou que a água dos sistemas de bioflocos funciona como um reservatório de alta riqueza bacteriana, superando significativamente a diversidade encontrada no trato digestório dos animais.
Diversidade bacteriana nos sistemas de cultivo
No intestino das tilápias (Oreochromis niloticus), o gênero Bacillus foi predominante, independentemente de os peixes terem sido criados em bioflocos ou em viveiros tradicionais. Já o bagre asiático (Heteropneustes fossilis) apresentou variações notáveis: enquanto nos viveiros de terra o filo Fusobacteriota era prevalente, nos sistemas de bioflocos houve um aumento expressivo de Proteobacteria e de gêneros como Lactobacillus e Enterobacter. Essa adaptação sugere que o ambiente de bioflocos influencia diretamente a colonização intestinal, embora muitos microrganismos da água sejam transitórios.
O papel dos probióticos comerciais e caseiros
O estudo revelou diferenças marcantes entre os tipos de probióticos utilizados pelos produtores. Os produtos comerciais apresentaram uma composição quase exclusiva de Firmicutes (98,54%), com destaque para os gêneros Bacillus e Lysinibacillus. Por outro lado, a formulação caseira preparada pelos próprios fazendeiros com arroz polido, açúcar mascavo e sal apresentou uma comunidade dominada por Proteobacteria, com forte presença do gênero Acetobacter. Curiosamente, as cepas isoladas do probiótico caseiro mostraram índices de resistência a antibióticos significativamente menores.
A ameaça da resistência antimicrobiana
Um dos achados mais críticos da pesquisa foi a alta prevalência de resistência antimicrobiana (AMR). Dos 27 isolados bacterianos testados, 19 foram classificados como multirresistentes, apresentando resistência a três ou mais compostos. Quatro isolados específicos, incluindo cepas de Bacillus subtilis e Serratia marcescens, mostraram resistência a todos os 15 antibióticos testados. Os autores alertam que o uso indiscriminado de antibióticos na aquicultura está gerando bactérias de alto risco, reforçando a necessidade urgente de alternativas sustentáveis e de um monitoramento rigoroso da sanidade aquícola.
