Alterações nas estruturas dos otólitos

As deformações foram identificadas nos otólitos, estruturas calcificadas localizadas no ouvido interno dos peixes que desempenham papel fundamental no equilíbrio e na audição do animal. Por reagirem diretamente a estressores do meio aquático e a processos fisiológicos, os otólitos funcionam como bioindicadores das condições do ecossistema. Das 38 amostras coletadas em maio de 2022 entre os municípios de Conceição da Barra e São Mateus, 23 apresentaram anomalias de diferentes volumes e graus de complexidade, concentradas na região ventral e nas margens caudais. As análises estatísticas confirmaram maior variação morfológica nos órgãos classificados como anômalos.
Conexão com o rompimento da barragem de Fundão
Realizado por Jonas Andrade-Santos, Rafael Menezes e Marcelo R. Britto, o trabalho traz como hipótese a associação dessas anomalias ao desastre de Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015. Na ocasião, o rompimento da barragem de Fundão liberou uma grande quantidade de rejeitos de mineração de ferro que atingiram a bacia do rio Doce e se dispersaram pelo litoral. Os autores ressaltam que a ocorrência de efeitos biológicos anos após o evento é compatível com o histórico de contaminação da área, embora os dados do estudo ainda não permitam estabelecer uma relação definitiva de causa e efeito.
Alertas para a ecologia marinha e o setor
O estudo reforça a importância do monitoramento contínuo da fauna aquática em zonas impactadas por rejeitos, visando compreender a extensão dos danos ecológicos e garantir a preservação dos recursos a longo prazo.
Fontes: Peixes do ES apresentam anomalias após o desastre de Mariana, revela estudo
