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Juvenis de robalo-europeu preferem estruturas do tipo teto em cultivo coletivo

Pesquisadores da Fish Etho Group Association, da organização fair-fish e do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados descobriram que o contexto social altera drasticamente as escolhas de juvenis de robalo-europeu (Dicentrarchus labrax) por enriquecimento ambiental. O estudo, realizado na Espanha com 60 peixes, avaliou a preferência por diferentes estruturas físicas e revelou que o comportamento coletivo se sobrepõe às escolhas individuais, indicando caminhos práticos para a melhoria do bem-estar animal na piscicultura.

A busca por ambientes menos estressantes

A criação intensiva de peixes frequentemente utiliza tanques desprovidos de complexidade estrutural, uma condição distante do habitat natural das espécies. Essa monotonia pode gerar estresse crônico, afetando o crescimento e a resposta imune dos animais. O uso de enriquecimento físico visa simular condições naturais e promover comportamentos de exploração. No entanto, a preferência de escolha de juvenis de robalo-europeu, uma das espécies de maior valor econômico no Mediterrâneo, ainda era pouco compreendida.

A influência do método na escolha individual

No experimento, os cientistas avaliaram individualmente os peixes em tanques com quatro opções: espaço aberto, colunas verticais de PVC, abrigo em pirâmide e uma estrutura tipo teto com duas superfícies horizontais. A equipe mediu as escolhas a partir da frequência de visitas e do tempo de permanência em cada área. As respostas individuais demonstraram ser heterogêneas e dependentes da métrica adotada. Ao analisar a frequência de visitas, os peixes preferiram o espaço aberto e o teto, evitando os abrigos. Contudo, ao avaliar o tempo de permanência, o espaço aberto passou a ser a opção mais rejeitada, enquanto o teto se consolidou como o local preferido para estadias prolongadas.

O grupo define a preferência coletiva

A transformação principal ocorreu na etapa seguinte do estudo. Os peixes foram organizados em quatro grupos com base em seus perfis comportamentais individuais e reavaliados coletivamente. Sob a influência do grupo, a variabilidade individual desapareceu por completo. Todos os quatro grupos apresentaram preferência unânime pela estrutura tipo teto, ignorando as demais opções disponíveis. De acordo com os autores, a interação social e a busca por coesão no cardume alteram a percepção de segurança dos peixes, redefinindo o uso do espaço.

Aplicação direta no manejo produtivo

A pesquisa demonstra que dados comportamentais obtidos de peixes isolados não devem ser aplicados diretamente no planejamento de sistemas comerciais. Como os robalos são cultivados em estocagens adensadas, a resposta coletiva é a variável determinante. A instalação de estruturas horizontais do tipo teto surge como uma solução viável e eficiente para enriquecer tanques industriais, oferecendo sombreamento e proteção sem comprometer a circulação da água ou a movimentação do cardume.

Fonte: Social context overrides individual preference for structural enrichment of juvenile European seabass

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