Energia e conversão alimentar ampliam a pegada
Ao comparar a produção de uma tonelada de pescado vivo, os pesquisadores constataram que os tanques terrestres de bagre demandaram oito vezes mais energia elétrica do que as estruturas de tanques-rede de tilápia. Essa disparidade se deve à necessidade constante de aeração mecânica e bombeamento de água para a renovação hídrica no sistema fechado.
O desempenho zootécnico também exerceu forte influência nos resultados. O bagre registrou uma taxa de conversão alimentar econômica de 2,42, superando os 1,65 observados na tilápia, o que demandou 47% mais alimento balanceado por tonelada. Esse fator elevou as perdas de nutrientes para o meio, gerando descargas de nitrogênio e fósforo até 91% superiores às do cultivo de tilápia.
Como consequência operacional, o potencial de aquecimento global do bagre atingiu 6.360 kg de CO2 equivalente por tonelada, contra 2.830 kg de CO2 equivalente na tilápia. A única exceção ocorreu na ecotoxicidade marinha, categoria na qual a tilápia gerou impacto superior em razão do contato direto dos materiais plásticos e metálicos das gaiolas com a coluna d’água.
A ração como gargalo comum
A fabricação de ração representou o maior gargalo ambiental para ambas as espécies, concentrando entre 35% e mais de 70% das cargas ecológicas nas categorias avaliadas. Insumos convencionais, como a farinha de peixe e o farelo de soja, responderam pelas maiores fatias no esgotamento de recursos e na pegada de carbono.
Em simulações com dietas alternativas, a inclusão de farinha de mosca soldado negro reduziu o potencial de aquecimento global em até 24,7% na tilápia e 32,9% no bagre. No entanto, a dependência energética da matriz elétrica para secagem dos insetos causou aumentos pontuais na acidificação e toxicidade humana.
Caminhos para o manejo sustentável
Os autores concluíram que o aprimoramento da eficiência alimentar é a estratégia de maior retorno ambiental para os piscicultores. O uso de alimentadores de precisão e a correção de parâmetros de qualidade de água reduzem as perdas de nutrientes antes que atinjam os efluentes.
Adicionalmente, estender a durabilidade da infraestrutura civil e adotar soluções energéticas de menor emissão, como aeração solar, atenuam a pressão ecológica nos sistemas continentais.
