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Cultivo de bagre eleva pegada de carbono frente à tilápia

A intensificação da piscicultura em viveiros de concreto gera uma sobrecarga ecológica substancialmente superior à observada em cultivos abertos. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Lagos State University, na Nigéria, que avaliou os fluxos de recursos e os impactos ambientais associados à produção da tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus) e do bagre-africano (Clarias gariepinus). A pesquisa aplicou a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida para diagnosticar os pontos críticos de sustentabilidade em cada sistema.

Energia e conversão alimentar ampliam a pegada

Ao comparar a produção de uma tonelada de pescado vivo, os pesquisadores constataram que os tanques terrestres de bagre demandaram oito vezes mais energia elétrica do que as estruturas de tanques-rede de tilápia. Essa disparidade se deve à necessidade constante de aeração mecânica e bombeamento de água para a renovação hídrica no sistema fechado.

O desempenho zootécnico também exerceu forte influência nos resultados. O bagre registrou uma taxa de conversão alimentar econômica de 2,42, superando os 1,65 observados na tilápia, o que demandou 47% mais alimento balanceado por tonelada. Esse fator elevou as perdas de nutrientes para o meio, gerando descargas de nitrogênio e fósforo até 91% superiores às do cultivo de tilápia.

Como consequência operacional, o potencial de aquecimento global do bagre atingiu 6.360 kg de CO2 equivalente por tonelada, contra 2.830 kg de CO2 equivalente na tilápia. A única exceção ocorreu na ecotoxicidade marinha, categoria na qual a tilápia gerou impacto superior em razão do contato direto dos materiais plásticos e metálicos das gaiolas com a coluna d’água.

A ração como gargalo comum

A fabricação de ração representou o maior gargalo ambiental para ambas as espécies, concentrando entre 35% e mais de 70% das cargas ecológicas nas categorias avaliadas. Insumos convencionais, como a farinha de peixe e o farelo de soja, responderam pelas maiores fatias no esgotamento de recursos e na pegada de carbono.

Em simulações com dietas alternativas, a inclusão de farinha de mosca soldado negro reduziu o potencial de aquecimento global em até 24,7% na tilápia e 32,9% no bagre. No entanto, a dependência energética da matriz elétrica para secagem dos insetos causou aumentos pontuais na acidificação e toxicidade humana.

Caminhos para o manejo sustentável

Os autores concluíram que o aprimoramento da eficiência alimentar é a estratégia de maior retorno ambiental para os piscicultores. O uso de alimentadores de precisão e a correção de parâmetros de qualidade de água reduzem as perdas de nutrientes antes que atinjam os efluentes.

Adicionalmente, estender a durabilidade da infraestrutura civil e adotar soluções energéticas de menor emissão, como aeração solar, atenuam a pressão ecológica nos sistemas continentais.

Fonte: Resource use and environmental impacts of net cage tilapia and land-based pond catfish intensive aquaculture production systems: A life cycle assessment

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