Como a decoada reduz o oxigênio na água
A decoada é um processo natural típico do ecossistema pantaneiro que ocorre durante a transição entre a estiagem e a cheia. Com o transbordamento dos rios, extensas áreas cobertas por vegetação terrestre e aquática ficam submersas, dando início a uma intensa decomposição orgânica. Essa atividade biológica consome rapidamente o oxigênio dissolvido na água e libera gases como dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄). A dinâmica e o mapeamento dessas ocorrências são acompanhados em estudos da Embrapa.

Impactos fisiológicos e comportamentais na fauna
A diminuição drástica da oxigenação afeta de forma direta o comportamento e a sobrevivência dos organismos aquáticos. Diante da escassez de oxigênio, os peixes tendem a reduzir a movimentação e migram para as camadas mais superficiais do espelho d’água em busca de ar. Embora algumas espécies apresentem tolerância temporária a episódios de baixa oxigenação, eventos prolongados ou de grande intensidade superam a capacidade de adaptação da fauna, levando os animais à morte.
Ação humana pode intensificar os efeitos do fenômeno
Apesar de fazer parte da regulação natural do bioma, o agravamento da decoada está associado a impactos ambientais causados pela ação humana. Em entrevista ao G1, o biólogo Diego Zoccal Garcia destacou que o desmatamento e as queimadas aumentam o volume de matéria orgânica disponível para decomposição. Esse excesso vegetacional acelera a perda de oxigênio durante as cheias. Especialistas reforçam que a preservação das áreas inundáveis e o monitoramento hidrológico contínuo são indispensáveis para proteger a biodiversidade e manter a sustentabilidade da pesca na região.
Fontes: G1; Embrapa
