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Macrófitas aquáticas purificam efluentes de carpas e geram biomassa comercializável

Pesquisadores de instituições da Polônia e da República Tcheca demonstraram que a integração de plantas aquáticas nos efluentes de pisciculturas de carpa-comum (Cyprinus carpio) reduz drasticamente a contaminação ambiental e gera novas fontes de renda para os produtores. Ao cultivar agrião-d’água (Nasturtium officinale) e lentilha-d’água (Lemna minor) em canais de drenagem e tanques desativados de uma fazenda comercial, a equipe conseguiu purificar a água e atender aos rigorosos limites da Diretiva Quadro da Água da União Europeia.

O gargalo ambiental da carpicultura

A criação de carpas em tanques escavados desempenha um papel fundamental na produção de pescado e na retenção hídrica na Europa Central e Oriental. No entanto, o manejo semiintensivo gera efluentes ricos em nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, provenientes da ração e de excretas. O descarte inadequado dessa água pode provocar a eutrofização de rios e lagos, impondo restrições regulatórias que limitam a expansão e a rentabilidade do setor.

Fitorremediação testada em escala real

Para solucionar o impasse, os cientistas avaliaram a capacidade de fitorremediação das duas macrófitas em diferentes estruturas da fazenda comercial Maliniec, na Polônia. O agrião-d’água foi testado em um tanque desativado, em um canal de concreto e em um sistema aquapônico de jangada. Já a lentilha-d’água foi cultivada no canal final de descarga da propriedade, responsável por receber a carga cumulativa de nutrientes de toda a produção antes do lançamento no rio.

Remoção eficiente de fósforo e nitrogênio

Os resultados mostraram que a lentilha-d’água obteve o maior desempenho em relação ao aporte de nutrientes, removendo 19,15% do nitrogênio total e 57,89% do fósforo total dos efluentes. Essa redução aproximou a concentração de fósforo do limite ideal e enquadrou o nitrogênio nas normas europeias de descarte seguro. Por sua vez, o agrião-d’água apresentou alto rendimento de biomassa, alcançando até 11,92 kg/m² no tanque desativado, além de filtrar frações significativas de compostos nitrogenados e fosfatados.

Biomassa segura e diversificação da fazenda

Além de despoluir a água, a análise química revelou que ambas as plantas mantiveram os níveis de metais pesados, como chumbo, cádmio e arsênio, dentro dos limites regulatórios para consumo humano e animal. A produção integrada transforma resíduos da piscicultura em insumos agrícolas ou alimentos de alto valor nutricional, promovendo uma solução baseada na natureza que une viabilidade econômica e preservação dos recursos hídricos.

Fonte: Evaluating nutrient removal efficiency of aquatic plants in pond aquaculture discharges

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