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Pesquisadores congelam esperma do coral Mussismilia harttii e alcançam 100% de fertilização in vitro

Pesquisadores de instituições brasileiras, liderados por cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Instituto Federal da Bahia (IFBA), criaram o primeiro banco de germoplasma congelado para corais do Atlântico Sul. A conquista científica estabeleceu um protocolo otimizado de criopreservação para espermatozoides do coral-cérebro endêmico Mussismilia harttii, garantindo uma taxa de fertilização in vitro de 100%. A iniciativa surge como uma ferramenta essencial para salvaguardar a diversidade genética da espécie e impulsionar ações de restauração nos recifes da Bahia, gravemente impactados pelas mudanças climáticas.

A ameaça à reprodução natural do coral-cérebro

Os recifes de corais do Atlântico Sul abrigam espécies exclusivas da biodiversidade brasileira, mas enfrentam um declínio acelerado decorrente do aquecimento oceânico e de eventos severos de branqueamento. Após um episódio drástico de estresse térmico em 2019, populações da espécie Mussismilia harttii registraram perdas de até 85% na área de suas colônias. Por serem organismos sésseis, o isolamento excessivo entre os indivíduos sobreviventes dificulta o encontro dos gametas na coluna d’água durante o desove, inviabilizando a recuperação populacional espontânea.

Desenvolvimento e testes do protocolo de congelamento

Para mitigar esse risco de extinção reprodutiva, os pesquisadores coletaram colônias no Parque Municipal Marinho do Recife de Fora, na Bahia, e avaliaram diferentes técnicas de preservação celular. O estudo testou a exposição dos espermatozoides a dois crioprotetores, dimetilsulfóxido (DMSO) e metanol, em concentrações de 10%, 15% e 20%, combinados com estratégias de congelamento lento controlado e resfriamento ultrarrápido. Após 26 meses de estocagem em nitrogênio líquido, as amostras foram descongeladas para avaliação minuciosa da integridade da membrana, atividade mitocondrial e taxa de fertilidade.

Resultados operacionais e a criação do biobanco

O tratamento com 20% de DMSO associado ao congelamento lento apresentou o melhor desempenho biológico, registrando 29,7% de motilidade e 83,6% de viabilidade celular após o descongelamento. Nos ensaios funcionais de fertilização in vitro, o sêmen congelado sob este protocolo atingiu 100% de sucesso na clivagem dos oócitos, índice estatisticamente equivalente ao obtido com esperma fresco. A validação metodológica permitiu a estruturação do primeiro repositório congelado de corais da região, que já armazena 2,4 bilhões de espermatozoides viáveis de Mussismilia harttii. O acervo genético servirá como suporte vital para programas de reprodução assistida e recuperação dos ecossistemas recifais brasileiros.

Fonte: First Frozen Repository for Coral Sperm in the Southwestern Atlantic: A Tool to Support Reef Conservation

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