Impactos severos da columnariose na produção
De acordo com o estudo realizado em colaboração com a Universidade Zambeze, de Moçambique, a columnariose ataca brânquias, pele e nadadeiras dos peixes, gerando necrose e marcas esbranquiçadas nos tecidos. Como os microrganismos se alimentam diretamente do tecido epitelial do hospedeiro, a saúde dos animais se deteriora rapidamente, culminando na morte do peixe.
Disseminação regional e novas espécies infectadas
O material analisado pelos cientistas reuniu amostras coletadas em propriedades aquícolas localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Dentre as cepas isoladas, a equipe identificou a espécie Flavobacterium oreochromis, anteriormente relacionada à infecção de tilápias. Porém, o patógeno foi detectado também em espécies nativas comerciais de alta relevância, como o tambaqui (Colossoma macropomum), o lambari (Astyanax lacustris) e o pacu (Piaractus mesopotamicus).
A pesquisa, detalhada também em reportagem da Agência FAPESP, apontou a primeira ocorrência de Flavobacterium davisii infectando o pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer).
Clima propício para o avanço bacteriano
Os testes de termotolerância revelaram que as espécies Flavobacterium davisii e Flavobacterium inkyongense encontram ambiente ideal de reprodução perto de 28 °C, nível de temperatura comum em águas continentais do Brasil. Já as espécies Flavobacterium oreochromis e Flavobacterium indicum preferem faixas térmicas ainda maiores, com a última atingindo seu ápice reprodutivo em 35 °C.
Estratégias de prevenção e manejo
Para mitigar perdas futuras, a professora Fabiana Pilarski, orientadora de Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo, aponta que vacinas são fundamentais. Segundo a pesquisadora, imunizantes atenuados ministrados via banho de imersão seriam ideais para proteger os alevinos, fase em que o sistema imunológico dos peixes jovens está em consolidação e permite a vacinação em massa de forma prática.
Fontes: Agência FAPESP
