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Tilápias em tanques-rede enfrentam graves falhas de biossegurança no Quênia

Uma ampla investigação conduzida por cientistas da Universidade de Cornell e do Instituto de Pesquisa Marinha e Pesqueira do Quênia (KMFRI) revelou um cenário crítico de vulnerabilidade sanitária na criação de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) em tanques-rede no Lago Vitória, no Quênia. O estudo diagnosticou que a rápida expansão dessa atividade nos últimos dez anos ocorreu sem a adoção de medidas básicas de biossegurança. Essa lacuna tem provocado frequentes surtos de mortandade de peixes e sérios riscos ambientais e de saúde pública na região.

O diagnóstico das fazendas aquícolas

Para mapear a situação, os pesquisadores realizaram um levantamento de campo detalhado entrevistando 172 operações de tanques-rede em cinco condados ribeirinhos. A amostragem proporcional revelou que, apesar da rápida adoção de rações comerciais por 82% dos piscicultores, o setor carece profundamente de infraestrutura técnica e de vigilância sanitária adequada. O ciclo produtivo médio dura 10,1 meses, gerando peixes de aproximadamente 505 gramas, mas com alta heterogeneidade de tamanho e manejo instável.

Surtos de mortalidade e ausência de desinfecção

Os resultados revelaram estatísticas alarmantes sobre a sanidade aquícola local. Cerca de 40% dos produtores relataram ter enfrentado episódios de mortandade em massa no último ano, com destaque para um evento catastrófico em novembro de 2022 que dizimou 1,5 milhão de tilápias nas fazendas amostradas. Apesar da gravidade, apenas 23% dos piscicultores notificaram as instituições oficiais. Além disso, assustadores 98% dos entrevistados admitiram não desinfetar puçás ou outras ferramentas ao movê-los entre diferentes tanques-rede, facilitando a transmissão de patógenos.

Descarte irregular e o desafio das algas

Outro ponto crítico identificado foi o destino dado aos peixes doentes ou mortos. O estudo constatou que 59% dos produtores descartam as carcaças diretamente no próprio lago, utilizam-nas para alimentar outros animais ou as consomem. Adicionalmente, 81% das fazendas sofrem com florações de algas nocivas, que entopem as malhas das redes e causam asfixia nos peixes. Diante dos surtos, 93% dos criadores nunca testam a qualidade da água e a única medida terapêutica utilizada é a aplicação ineficaz de sal na água aberta.

Caminhos para a sustentabilidade da atividade

Com base nas deficiências encontradas, os autores recomendam intervenções governamentais urgentes focadas em capacitação técnica. As medidas de biossegurança prioritárias devem incluir a retirada imediata e incineração de peixes mortos, o aumento do distanciamento entre as estruturas e a implementação do sistema “todos dentro, todos fora”. Os cientistas destacam que a adoção dessas melhores práticas de manejo é indispensável para conter os prejuízos financeiros, mitigar a poluição por ração excedente e garantir a sustentabilidade ecológica do Lago Vitória.

Fonte: Characterizing tilapia cage aquaculture biosecurity and production practices in Lake Victoria, Kenya

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