A busca por sustentabilidade na nutrição
A alta dependência de farinha de peixe em dietas aquícolas representa um desafio econômico e ambiental crescente diante da sobrepesca e de eventos climáticos severos. Para contornar esse problema, cientistas formularam cinco dietas isonitrogênicas e isolipídicas aplicadas durante oito semanas em caranguejos juvenis distribuídos individualmente para evitar o canibalismo. O experimento testou substituições da proteína de farinha de peixe pela de farinha de krill do Pacífico nas proporções de 0%, 10%, 20%, 30% e 40%.
Desempenho zootécnico e nível ótimo
Os crustáceos alimentados com substituições moderadas de 10% e 20% apresentaram melhoras expressivas no peso corporal final, ganho de peso e taxa de crescimento específico, registrando a maior eficiência alimentar na faixa de 20%. Por meio de análises de regressão linear baseadas no ganho de peso, os pesquisadores determinaram que o nível ideal de substituição da farinha de peixe pela farinha de krill do Pacífico é de exatamente 18,59% na ração.
Estímulo à síntese proteica e pigmentação
A incorporação do krill também provocou uma nítida mudança na coloração do hepatopâncreas dos caranguejos, que transitou de um tom esbranquiçado no grupo controle para um vermelho-alaranjado intenso no grupo de maior inclusão, devido ao aporte de carotenoides. No plano molecular, o ingrediente ativou a via de sinalização celular mTOR, provocando a regulação positiva de genes metabólicos fundamentais como tor, s6k, raptor e akt, o que impulsionou diretamente a síntese de proteínas musculares.
Fortalecimento imunológico e biossegurança
A resposta imune inata dos animais foi robustecida pelas vias de sinalização Toll e IMD, elevando expressivamente os níveis de transcrição do gene proPO. Paralelamente, o sistema de defesa antioxidante registrou picos de atividade de enzimas essenciais no hepatopâncreas e na hemolinfa, reduzindo os danos por estresse oxidativo. O estudo confirmou a segurança alimentar da prática, atestando que o acúmulo de flúor, chumbo e cádmio no tecido muscular permaneceu estritamente abaixo dos limites de tolerância exigidos pela União Europeia.
Efeitos deletérios do uso excessivo
Apesar dos benefícios, o estudo alertou que níveis excessivos de substituição comprometem o sistema digestivo do caranguejo-da-lama. Nos grupos tratados com 30% e 40% de farinha de krill, observou-se uma queda no desempenho zootécnico, deformidades estruturais nos túbulos hepáticos e severo aumento no diâmetro de vacúolos do hepatopâncreas. Essa degradação celular correlacionou-se com o vazamento de transaminases para a circulação, ressaltando que a alta concentração de quitina e cinzas do exoesqueleto do krill restringe sua aplicação a dosagens estritamente controladas.
