Inovação na entrega de fitoandrógenos
A manipulação sexual na aquicultura ornamental é altamente valorizada, pois os machos de lebiste possuem cores vibrantes e alcançam valores de mercado até quatro vezes maiores que as fêmeas. Embora hormônios sintéticos tradicionais alcancem altas taxas de masculinização, eles geram sérias preocupações devido à persistência ambiental e riscos à saúde humana. Para superar a baixa biodisponibilidade dos extratos botânicos puros, a equipe científica conjugou os fitoextratos metanólicos a nanopartículas de óxido de zinco. O processo resultou em complexos estáveis com eficiência de aprisionamento de 48,52% para o extrato de Shatavari e 46% para o de Ashwagandha.
Altas taxas de masculinização
Os testes foram conduzidos ao longo de 120 dias, com os alevinos recebendo as rações experimentais enriquecidas durante os primeiros 30 dias de vida. Os resultados foram expressivos: o grupo alimentado com nanopartículas carregadas com Ashwagandha nas concentrações de 0,05 g/kg e 0,075 g/kg de ração atingiu os maiores índices de masculinização, registrando 87,7% e 88,87% de machos, respectivamente. Em contrapartida, o grupo controle negativo apresentou uma proporção de aproximadamente 49,9% de machos. Adicionalmente, as análises histológicas confirmaram o desenvolvimento pleno dos testículos, repletos de espermatozoides maduros nos grupos tratados.
Estímulo ao crescimento e sobrevivência
Além de promover a reversão sexual, a incorporação dos nano-conjugados botânicos estimulou significativamente o desempenho zootécnico dos lebistes. Os peixes submetidos aos tratamentos apresentaram melhorias expressivas no ganho de peso, taxa de crescimento específico e fator de condição em comparação ao controle. O lote que recebeu o tratamento com Ashwagandha a 0,05 g/kg obteve o maior ganho em comprimento (304,59%). O vigor e a segurança da técnica também se refletiram nos excelentes índices de sobrevivência, que alcançaram até 95% nos grupos tratados com o fitoextrato nanoestruturado.
Desenvolvimento de caracteres reprodutivos
Outro indicador biofísico monitorado foi o Índice Gonopodial (GPI), que avalia o desenvolvimento do gonopódio, o órgão copulatório dos machos. Todos os grupos que receberam as rações com fitoextratos demonstraram valores de GPI significativamente superiores aos tanques de controle. O maior índice absoluto (26,05) foi observado sob o tratamento com Ashwagandha a 0,05 g/kg. Esses achados consolidam as formulações botânicas nanoestruturadas como veículos biológicos eficientes e muito mais seguros para a consolidação de cultivos monossexo na piscicultura ornamental.
