Processo de extração e pureza do material
A equipe utilizou a técnica de calcinação térmica a 900°C por nove horas para extrair a n-HAP dos ossos limpos e pré-tratados. Este método mostrou-se eficiente na remoção completa de resíduos orgânicos, como colágeno e proteínas, resultando em um pó inorgânico puro e altamente estável. A análise revelou que o material derivado do atum apresentou um tamanho médio de partícula de 44,9 nm, enquanto o da tilápia ficou em torno de 129 nm, ambos dentro da escala nanométrica ideal para aplicações biomédicas.
Estabilidade e semelhança com o osso humano
As análises químicas confirmaram que a n-HAP obtida possui uma proporção de cálcio e fósforo de aproximadamente 1,72, valor muito próximo ao encontrado em tecidos mineralizados naturais. Além disso, o material apresentou excelente estabilidade coloidal e a presença de grupos carbonato, o que favorece a bioatividade e a integração com células humanas. Essas características tornam o produto um substituto viável e de baixo custo às versões sintéticas ou derivadas de mamíferos.
Segurança biológica e potencial de mercado
Testes de citocompatibilidade realizados com células-tronco do folículo dentário humano indicaram que o material é seguro para uso preliminar. Embora tenha ocorrido uma redução moderada na viabilidade celular nas primeiras 24 horas, observou-se uma recuperação significativa após 72 horas, sugerindo uma adaptação celular positiva à superfície do biomaterial. Para os autores, o aproveitamento desses “lados B” da produção pesqueira não apenas reduz o impacto ambiental, mas agrega um valor econômico extraordinário a resíduos que hoje representam um custo de descarte para o setor.
