A temperatura da água do mar na Ilha de Santa Catarina atingiu níveis recordes no último verão, segundo análise da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Apesar do dado inédito, os pesquisadores destacam que ainda não é possível afirmar uma tendência consistente de aquecimento ao longo dos anos.
Temperatura do mar atinge nível recorde em SC
O estudo foi conduzido por especialistas do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap) e avaliou medições realizadas entre 2019 e 2026 na baía Sul da Ilha de Santa Catarina. Nesse período, a temperatura máxima absoluta subiu de 29,83 °C para 30,32 °C.
Outro dado relevante foi o aumento do tempo em que a água permaneceu acima dos 30 °C, passando de zero para 4,7 horas. Esse resultado indica episódios mais prolongados de calor extremo na região.
Estudo ainda não confirma tendência de aquecimento
Apesar dos registros elevados, a equipe técnica ressalta que os resultados ainda não permitem confirmar uma tendência de aquecimento. De acordo com o pesquisador Luis Hamilton P. Garbossa, “os números sugerem um possível aumento recente dos extremos, mas ainda não permitem afirmar, com segurança estatística, que o calor extremo no verão esteja aumentando de forma consolidada ao longo dos anos”.
Segundo os pesquisadores, um dos fatores que dificultam conclusões definitivas é a grande variação entre diferentes verões. Para determinar tendências climáticas com maior precisão, são necessárias séries históricas mais longas, de pelo menos 15 anos.
Impactos na maricultura catarinense
Enquanto isso, o monitoramento contínuo segue sendo fundamental para compreender a dinâmica do ambiente marinho. Os impactos das temperaturas elevadas já são percebidos na maricultura catarinense. Produtores de ostras relatam aumento na mortalidade durante períodos mais quentes, o que tem levado à busca por estratégias de adaptação.
Alternativas incluem cultivo de macroalgas
Entre as alternativas discutidas com os maricultores está o cultivo de macroalgas. A prática vem ganhando espaço por diversificar mercados e contribuir para a redução da poluição marinha, já que as algas atuam na absorção de carbono.
Santa Catarina responde por mais de 90% da produção nacional de ostras, o que reforça a importância do acompanhamento ambiental e da adoção de medidas que garantam a sustentabilidade da atividade.
Fonte: Epagri
