Na natureza, os organismos aquáticos raramente são expostos a apenas um produto químico de cada vez. Os cientistas descobriram que, quando misturados, esses agrotóxicos apresentam interações biológicas complexas. Isoladamente, o fungicida Tilt demonstrou ser mais tóxico para os lambaris do que o inseticida Provado. No entanto, a combinação dos dois produtos revelou um efeito sinérgico em baixas concentrações, o que significa que a toxicidade da mistura foi consideravelmente maior do que a soma dos efeitos individuais esperados.
Os impactos físicos no desenvolvimento dos peixes foram severos. Nos testes com larvas de peixe-zebra, a exposição ao fungicida e às misturas causou graves malformações, resultando em 100% de incidência de inchaços na região do coração e do saco vitelino nas concentrações mais altas. Em um ambiente natural, essas anomalias físicas comprometeriam funções vitais de sobrevivência, como as respostas de fuga dos filhotes. Além disso, a sobrevivência geral das larvas diminuiu drasticamente com o avanço do tempo de exposição aos produtos químicos.
Para compreender os danos invisíveis, a equipe analisou os peixes adultos em dosagens subletais, que são quantidades que não causam morte imediata, mas alteram o metabolismo. Os lambaris apresentaram mudanças expressivas no funcionamento de enzimas responsáveis pela desintoxicação do corpo e pela defesa antioxidante. Mesmo em concentrações muito baixas, os agrotóxicos provocaram estresse oxidativo nas brânquias, indicando que as defesas naturais do organismo não foram suficientes e as células começaram a sofrer danos na sua estrutura lipídica.
Esses resultados evidenciam que os avaliações de risco baseadas em apenas um composto químico isolado podem subestimar os verdadeiros perigos enfrentados pela fauna aquática. Avaliar o efeito das misturas no ecossistema é um passo crítico para orientar políticas ambientais mais seguras e garantir a proteção efetiva da vida nos rios.
