É notório o descompasso que existe entre as etapas de inovar — seja em equipamentos, insumos ou novos processos produtivos — e as etapas para registrar, validar ou liberar para uso uma nova tecnologia. Em tempos modernos, onde se vê novas tecnologias em todos os segmentos, é um absurdo o agronegócio ser tão prejudicado por tal lentidão. Além da morosidade para que as inovações tecnológicas cheguem até os produtores, muitos destes sequer têm oportunidade para usá-las, pois as licenças e autorizações para simplesmente começarem a produzir alimento, de forma correta e como diz a lei, demoram tanto que acabam desistindo. Arrendar as terras ou a estrutura de produção é mais negócio.
Em recente artigo publicado na revista Veja pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, intitulado “Dinossauros e Drones”, o qual recomendo fortemente a leitura, o mesmo cita a importância do pequeno e médio produtor dentro do contexto da produção de alimentos e faz dois alertas muito pertinentes:
- Por conta do uso intensivo de tecnologias pelos grandes, há a tendência destes engolirem os médios e pequenos.
- Deve ser interesse da sociedade manter o pequeno e médio no campo.
Pois bem, no caso da aquicultura, sem sombra de dúvidas a atividade mais jovem do agronegócio brasileiro, já se constata isto acontecendo na prática. Pequenos produtores sequer têm acesso às novas tecnologias, pois não conseguem iniciar uma produção conforme as legislações vigentes, e os grandes cada vez mais dominando as produções. Sob a ótica de crescimento do aquanegócio, legal! Estamos crescendo sim. Mas crescendo a qual custo? Qual lastro estamos tendo para crescer? Não é estratégico que o pequeno e o médio aquicultor fiquem de fora deste processo.
Vale a reflexão.
