Megapeixes ameaçados encontram refúgio em tanques e viveiros na Tailândia

O aparecimento de um bagre-gigante-do-Mekong de cerca de 90 quilos em uma estação ferroviária alagada em Chiang Mai (Tailândia), no ano passado, surpreendeu moradores e revelou uma nova realidade: os maiores peixes de água doce do planeta estão desaparecendo dos rios, mas prosperam em ambientes controlados.

O exemplar, com quase dois metros de comprimento, provavelmente escapou de um viveiro particular, templo ou reservatório após as inundações. O episódio expôs um fenômeno crescente no país. Espécies como o bagre-gigante-do-Mekong (Pangasianodon gigas) e a carpa-gigante (Catlocarpio siamensis), ambas criticamente ameaçadas, vêm sendo criadas em larga escala por criadouros governamentais, fazendas comerciais e colecionadores.

Hoje, essa população mantida em sistemas de criação supera, em muito, o que resta nos rios. Cientistas avaliam se esses estoques podem ajudar na recuperação das espécies. Segundo o biólogo Zeb Hogan, da Universidade de Nevada, “com ciência e conservação adequadas, os peixes criados em ambientes controlados podem reforçar as populações selvagens e evitar a extinção”.

No início do século XX, o bagre-gigante era comum no rio Mekong, chegando a pesar mais de 270 quilos. Hoje, não há registros recentes de capturas na natureza. Para preservar a espécie, o governo tailandês iniciou, na década de 1980, um programa de reprodução artificial, que obteve bons resultados e estimulou a criação desses peixes fora do ambiente natural.

Além do valor biológico, os megapeixes têm forte simbolismo religioso. Por seu tamanho e longevidade, são vistos como sagrados e associados à prosperidade. Espécies como a carpa-gigante, considerada um símbolo de boa sorte, podem atingir preços elevados. Um criador chegou a vender um exemplar de 121 quilos por 1,7 milhão de baht (cerca de 52 mil dólares) para um parque de pesca próximo a Bangkok.
Carpa-gigante (Catlocarpio siamensis), também conhecida como giant Siamese carp, capturada por Kik Panphrapat em 2007 na Tailândia. (Foto: Fishing Adventures Thailand.)

Os cientistas agora tentam mapear quantos peixes gigantes existem nesses sistemas de cultivo, onde estão e qual é sua diversidade genética. Técnicas como o DNA ambiental podem ajudar a identificar indivíduos em tanques domésticos e fazendas. Estimativas preliminares indicam que há mais de um milhão de bagres-gigantes-do-Mekong mantidos em ambientes controlados na Tailândia — mil vezes mais que na natureza.

A esperança é que essa abundância sob manejo possa, um dia, servir de base para restaurar as populações selvagens e devolver aos rios da região os peixes que se tornaram símbolo de força e fé.

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