E os cultivos heterotróficos? Lembro que os primeiros cultivos heterotróficos que tive a oportunidade de ver no Brasil foi quando trabalhei numa grande empresa do setor no departamento de Genética e Reprodutores (empresa que sempre investiu em tecnologia e assessoria externa). Na época, 2003, juvenis de 15 gramas selecionados na fazenda eram engordados em condições de laboratório até tamanho de reprodutor. Tudo bastante empírico, onde se colocava diariamente “caldo de lula” (feito das sobras dos cortes na preparação da dieta no setor de maturação) como fonte de nitrogênio e melaço como fonte de carboidratos. A densidade e tamanho dos flocos eram controlados visualmente com uma amostragem em béquer de um litro todas as manhãs. Nos anos 2000, vários pesquisadores brasileiros saíram a realizar seus pós-doutorados iniciando fortes linhas de pesquisa.
Hoje, a estação de maricultura da FURG se tornou referência latina, oferecendo cursos aos produtores e participando ativamente de reuniões e congressos internacionais.
O Dr. Tzachi Samocha, líder orientador de técnicos e pesquisadores brasileiros, tem difundido amplamente o cultivo heterotrófico em todo o continente. O sistema de cultivo intensivo heterotrófico está crescendo e seu potencial é enorme, mas ainda enfrenta desafios como: controle sanitário efetivo, qualidade da pós-larva local, assim como redução dos custos de implantação e de produção. O sistema de cultivo heterotrófico tem se espalhado pela América Latina toda, principalmente focando seu uso na fase de berçários ou produção de juvenis em sistemas multifásicos.
