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Lodo de piscicultura marinha eleva produção de biogás e suporta alta salinidade em reatores

A aquicultura marinha terrestre e em tanques fechados gera volumes expressivos de resíduos orgânicos que representam um desafio de manejo e um potencial energético subutilizado. Para enfrentar essa questão, pesquisadores do Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBIO) e da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU) demonstraram que o lodo da produção marinha de salmão-do-atlântico (Salmo salar) pode ser convertido com alta eficiência em biogás em sistemas de digestão anaeróbia contínua, mesmo sob concentrações elevadas de sal equivalentes às da água do mar.

Substituição gradativa e ganho de eficiência

O estudo experimental avaliou o desempenho de dois reatores contínuos de escala laboratorial durante 340 dias. Os cientistas aumentaram gradualmente a proporção do lodo aquícola marinho na mistura alimentadora, substituindo progressivamente o esterco bovino. Com o aumento da carga do resíduo de salmão de 20% para 100%, a produção de biogás subiu de aproximadamente 200 para 375 mL por grama de demanda química de oxigênio total (DQOt) por dia. Esse salto representou um ganho de quase 80% na produtividade do sistema. A concentração de metano no biogás também se manteve elevada e estável, oscilando entre 63% e 67%.

Tolerância a altas cargas de sal e sulfato

A transição total para o resíduo aquícola elevação a salinidade da matéria-prima a cerca de 25 g/L de cloreto de sódio (NaCl), acompanhada por um aumento na concentração de sulfato para 2,7 g/L. Embora níveis elevados de sódio e sulfato sejam tradicionalmente associados à inibição do processo digestivo, os sistemas mantiveram operação estável e remoção contínua de ácidos graxos voláteis, ultrapassando 98% de eficiência de degradação ao final do período. Além disso, a redução da DQOt subiu de 37% na fase inicial para mais de 63% quando o lodo marinho foi utilizado como substrato único.

Especialização do ecossistema microbiano

O sequenciamento genético revelou que o aumento do lodo e da salinidade reduziu a diversidade microbiana geral nos reatores, promovendo a seleção de comunidades especializadas. Ao contrário do esperado, os microrganismos oriundos do trato intestinal do salmão não se estabeleceram como dominantes no digestor. Em vez disso, a produção de metano continuou sendo impulsionada por arqueias acetoclásticas halotolerantes já presentes no inóculo inicial, como representantes dos gêneros Methanothrix e Methanosarcina, que se adaptaram com sucesso às condições marinhas.

Viabilidade para a piscicultura marinha

Os resultados confirmam que o lodo da criação de salmão é um substrato altamente biodegradável e denso em energia. A capacidade de operar reatores anaeróbios com 100% desse resíduo elimina a necessidade de transporte constante de co-substratos externos, como o esterco bovino. Essa adaptação abre caminho para que empreendimentos aquícolas marinhos implementem a monodigestão no próprio local de cultivo, gerando energia renovável, reduzindo custos logísticos e tratando os efluentes de forma sustentável.

Fonte: Increased biogas production and salinity tolerance in continuous AD systems using marine aquaculture sludge as substrate

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