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Inteligência artificial e microalgas transformam efluente de laticínios em biogás

A rápida expansão da indústria de laticínios gera volumes crescentes de efluentes com elevada carga poluente, cujo manejo inadequado provoca severos impactos ambientais. Para solucionar esses gargalos e impulsionar a recuperação de recursos, pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia Malaviya Jaipur, na Índia, em colaboração com a Universidade Dongguk, na Coreia do Sul, revisaram a aplicação da inteligência artificial no cultivo de microalgas para o tratamento de águas residuais de laticínios. A abordagem inovadora permite purificar a água e converter a biomassa resultante em biometano e bioprodutos de alto valor.

Desafios do tratamento convencional de efluentes

Os efluentes do processamento de leite apresentam altos níveis de demanda química de oxigênio (DQO), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), gorduras e alta concentração de nitrogênio e fósforo. Quando lançados em corpos hídricos sem o devido tratamento, esses resíduos provocam a eutrofização das águas e o esgotamento do oxigênio dissolvido. As técnicas físico-químicas tradicionais, como coagulação química e lodos ativados, demandam alto consumo de energia elétrica, geram grande quantidade de lodo e possuem custos operacionais elevados, limitando a sustentabilidade do setor.

Monitoramento e controle inteligente do cultivo

O uso de microalgas destaca-se pela capacidade de absorver nutrientes e metais pesados do efluente, utilizando a fotossíntese para capturar dióxido de carbono e produzir biomassa. Contudo, a instabilidade na composição do efluente e as variações de luz e temperatura dificultam o controle produtivo. A utilização de redes neurais artificiais, algoritmos genéticos e máquinas de vetores de suporte possibilita prever a dinâmica de crescimento de espécies como Chlorella sorokiniana, Chlorella vulgaris e Scenedesmus obliquus, permitindo o ajuste preditivo de pH, iluminação e dosagem de nutrientes em tempo real.

Valorização energética por digestão anaeróbia

Além de aprimorar a remoção de poluentes e a detecção precoce de contaminações nas culturas, a inteligência artificial otimiza a conversão energética da biomassa colhida. A co-digestão anaeróbia de microalgas combinada com outros resíduos orgânicos equilibra a relação carbono-nitrogênio no digestor, aumentando substancialmente a produção de biometano. Os modelos de aprendizado de máquina preveem o rendimento de biogás, antecipam perturbações no processo e otimizam a recuperação de biofertilizantes, garantindo estabilidade e eficiência ao sistema.

Avanço rumo à economia circular e descarbonização

A integração entre o tratamento biológico de águas residuais, o cultivo algal e o controle digital automatizado consolida um modelo de biorefinaria inteligente para a agroindústria. O monitoramento remoto por sensores conectados à inteligência artificial reduz custos operacionais, minimiza o tempo de inatividade das plantas e diminui a pegada de carbono. Essa abordagem fecha o ciclo de vida dos resíduos, transformando poluentes industriais em insumos hídricos e fontes de energia renovável.

Fonte: Engineering resource circularity through AI-assisted microalgae-based sustainable wastewater valorization and green energy recovery

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