A necessidade de diversificação e capacitação técnica
A pesca da lagosta-de-espinho representa a principal atividade comercial e de exportação de frutos do mar no arquipélago baiano. No entanto, flutuações nas capturas e incertezas econômicas impulsionam a busca por alternativas produtivas que complementem a renda das comunidades costeiras. Ao entrevistarem pescadores e gestores governamentais, os autores constataram que 18 dos 20 pescadores abordados demonstraram interesse na atividade, desde que recebam capacitação adequada e orientação prática sobre o manejo da espécie.
Gargalos financeiros e incertezas regulatórias
O alto custo inicial para aquisição de infraestrutura, equipamentos e ração foi apontado como o principal obstáculo financeiro por 17 dos entrevistados. Além disso, a ausência de mecanismos de seguro específicos para a aquicultura e a escassez de linhas de crédito elevam o risco percebido. Os entrevistados também destacaram a falta de clareza nas legislações governamentais e a necessidade de proteger as áreas de cultivo contra invasões e furtos, exigindo políticas públicas mais eficientes e participativas.
Caminhos para a integração sustentável
Para viabilizar o setor, os pesquisadores sugerem a criação de cooperativas de pesca e aquicultura, o que permitiria dividir custos operacionais e compartilhar riscos. A coleta de pós-larvas diretamente por pescadores para engorda posterior ou repovoamento surge como uma porta de entrada viável e alinhada com as rotinas extrativas existentes. Segundo os autores, a transição sustentável da pesca para a maricultura nas pequenas ilhas em desenvolvimento depende de um modelo inclusivo que integre ciência, governança e as reais necessidades das comunidades locais.
