O desafio ambiental e comercial dos escapes
O escape de peixes na aquicultura representa uma forma de poluição biológica que ameaça as populações nativas e os ecossistemas marinhos. No Mar Engenho ou no Mediterrâneo, estima-se que a biomassa de peixes fugitivos alcance 5% da produção anual, o que pode alterar os estoques selvagens e impactar os preços comerciais. Além disso, a falta de regulamentação específica na Espanha permite que peixes cultivados que escapam sejam capturados pela frota pesqueira e comercializados acidentalmente como se fossem selvagens, configurando uma fraude de mercado involuntária para o consumidor final devido à assimetria de informações.
Preferências e disposição a pagar dos consumidores
Para medir a aceitação social de medidas de mitigação, a equipe de cientistas aplicou um modelo estatístico baseado em dados de 2.144 consumidores de regiões litorâneas e do interior da Espanha. Os resultados revelaram que a população valoriza fortemente a aquicultura pelo fornecimento de alimentos frescos a preços competitivos. No entanto, os entrevistados demonstraram forte rejection à ideia de limitar a expansão física da atividade aquícola caso isso resulte em aumentos nos preços do pescado, registrando uma disposição a pagar negativa de 1,23 euro por unidade.
Selo de sustentabilidade e sistemas de detecção
Por outro lado, os consumidores demonstraram apoio claro a mecanismos de transparência e controle de qualidade. O estudo estimou que os compradores aceitam pagar um adicional de 0,31 euro por um exemplar de 600 gramas que possua o selo GGN da Global GAP, que certifica boas práticas de contenção. Além disso, houve uma disposição positiva de pagar mais 0,43 euro por peça para a implementação de sistemas obrigatórios de notificação de escapes e controles veterinários rigorosos na cadeia de suprimentos.
Impacto econômico e implicações regulatórias
Em termos agregados, os pesquisadores calcularam que o benefício líquido de prevenir os escapes varia entre 1,23 e 8,96 euros por quilo de peixe cultivado, gerando um valor social total estimado entre 2 e 14,4 milhões de euros para a economia espanhola. A análise econômica confirmou que não há diferença significativa na percepção do público entre o robalo e a dourada. As conclusões oferecem subsídios valiosos para que autoridades públicas e empresas desenvolvam marcos legais de rastreabilidade, promovendo a sustentabilidade da Economia Azul e reforçando a confiança dos consumidores no mercado de pescados.
Fonte: Consumer preferences towards the management of fish escapes from aquaculture: A choice experiment
