Manejo individual e composição dos custos
A biologia de Betta splendens impõe desafios operacionais únicos ao produtor. Em razão da agressividade territorial dos machos, cada exemplar deve ser isolado individualmente após a diferenciação sexual, prática comumente realizada em recipientes plásticos como garrafas PET. Esse manejo contínuo eleva a exigência de trabalho manual para alimentação, trocas parciais de água e inspeção sanitária de cada unidade.
A partir da estrutura observada nas propriedades, os pesquisadores modelaram um sistema comercial composto por três estufas com capacidade produtiva anual de 162.288 peixes vendáveis. O custo total de produção foi estimado em US$ 0,14 por peixe. Entre as despesas, a mão de obra (17,82%), as embalagens individuais (17,38%) e a ração (16,04%) responderam por 51,24% de todos os custos da atividade.
Alta probabilidade de retorno do capital
Na análise determinística, considerando o preço médio ponderado de venda de US$ 0,18 por peixe, o sistema obteve lucratividade de 25,09% e retorno sobre o capital investido (ROIC) de 23,90% ao ano. Para incorporar as incertezas biológicas e de mercado, a equipe da UFMG aplicou a Simulação de Monte Carlo com 10 mil iterações.
A avaliação estocástica estimou um ROIC médio anual de 22,46% e indicou 98,53% de probabilidade de obtenção de lucro econômico positivo. Além disso, em 93,32% dos cenários simulados, o retorno financeiro superou a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) adotada de 6% ao ano, confirmando a atratividade do negócio sob condições reais de operação.
Gargalos operacionais e direcionadores de risco
A análise de sensibilidade evidenciou que o retorno do empreendimento é condicionado pela eficiência de processos e não apenas pelo volume de desovas. A demanda por mão de obra foi a variável com maior impacto negativo sobre o ROIC (-40,8%), demonstrando que perdas de tempo ou excesso de funcionários comprometem rapidamente a margem do negócio.
Em contrapartida, o preço de venda dos machos selecionados apresentou a maior correlação positiva com o retorno financeiro (+38,9%), seguido pelo número de alevinos por desova (+12,3%). Segundo os autores da UFMG, a sustentabilidade da atividade depende diretamente do treinamento da mão de obra, do manejo reprodutivo eficiente e da agregação de valor aos machos de padrão estético superior.
