Metabolismo revela a procedência
A técnica central utilizada pelos cientistas foi a Ressonância Magnética Nuclear de Roton (RMN). Esse mecanismo permite detectar compostos específicos nos tecidos dos peixes que carregam informações detalhadas sobre o seu ambiente de origem. Entre as características identificadas estão indicadores ligados ao próprio habitat, à salinidade da água, ao comportamento fisiológico e à alimentação dos animais.

Os resultados das coletas, realizadas em diferentes épocas do ano, demonstraram, por exemplo, que a Lagoa de Araruama — considerada a maior lagoa hipersalina permanente do mundo — exerce uma influência direta e marcante no metabolismo da tainha. Foram observadas alterações significativas nos mecanismos de osmorregulação, no metabolismo energético e no perfil de aminoácidos dos peixes dessa região, diferenciando-os dos espécimes dos outros locais avaliados.
Segurança alimentar e agregação de valor
A capacidade de distinguir, com alta precisão, a origem do pescado tem impactos diretos para o setor. Com ferramentas mais robustas, é possível fortalecer a segurança alimentar e apoiar os sistemas de controle governamentais e comerciais. Segundo os pesquisadores, a Ressonância Magnética Nuclear provou ser uma tecnologia chave para o mapeamento metabólico da espécie.
Além de verificar a autenticidade do produto, a rastreabilidade aprimorada permite que o mercado reconheça e valorize características associadas a determinadas regiões geográficas e sistemas de produção específicos. O estudo completo, intitulado “Application of Magnetic Resonance Tools for Qualification and Traceability of Mullets“, foi publicado na revista científica especializada Fishes.
Fontes: Embrapa
