A evolução da renovação hídrica ao manejo biológico
O controle tradicional do nitrogênio na carcinicultura dependia de trocas parciais e frequentes de água, método simples que descartava o excesso de amônia. Contudo, essa prática consome grandes volumes hídricos e gera efluentes com alto potencial de eutrofização nos ecossistemas receptores. Diante das exigências ambientais e da necessidade de biossegurança, a atividade passou a priorizar tecnologias de cultivo sem renovação de água, nas quais a transformação e reciclagem dos compostos nitrogenados ocorrem biologicamente no próprio sistema.
Mecanismos e diversidade das tecnologias biológicas
A análise detalha os fundamentos das principais abordagens tecnológicas atuais. Em sistemas de recirculação (RAS) e cultivos em bioflocos (BFT) divididos em heterotróficos, quimioautotróficos e mixotróficos populações bacterianas assimilarão a amônia ou a oxidarão a nitrito e, sequencialmente, a nitrato, a forma inorgânica menos tóxica. O trabalho também avalia o uso de substratos artificiais para fixação de biofilmes nitrificantes, a inoculação de probióticos e sistemas simbióticos baseados na fermentação de farelos vegetais, além do reuso de água madura rica em microrganismos para acelerar a maturação do sistema.
Aquicultura multitrófica e a remoção de nitrato
Mesmo com o sucesso da nitrificação, cultivos maduros sem troca de água enfrentam o acúmulo gradual de nitrato. Para contornar esse problema e fechar o ciclo do elemento, a revisão destaca a integração da desnitrificação anóxica e da Aquicultura Multitrófica Integrada (IMTA). Ao consorciar o cultivo do Penaeus vannamei com espécies extratoras inorgânicas, como macroalgas dos gêneros Gracilaria e Ulva ou plantas halófitas, o nitrato é absorvido e convertido em biomassa vegetal, limpando a água e diversificando a produção da fazenda.
Direcionamentos operacionais e desafios futuros
Os cientistas ressaltam que a escolha da estratégia operacional deve respeitar a salinidade da água, a fase de desenvolvimento do camarão e a escala de produção. Em sistemas oligohalinos ou de baixa salinidade, a toxicidade da amônia e do nitrito é significativamente maior, tornando crucial o estabelecimento prévio do nicho nitrificante. Os autores concluem que o avanço da carcinicultura intensiva depende da otimização energética do RAS, da padronização dos substratos e da validação dessas ferramentas biológicas em escala comercial.
