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Atum-azul confirma capacidade de desova em tanques-rede e no Mar Adriático

O Mar Adriático desempenha um papel biológico que vai muito além de ser apenas uma área de alimentação e engorda para o atum-azul (Thunnus thynnus). Uma pesquisa conduzida por cientistas do Instituto de Oceanografia e Pescas de Split e da Universidade de Zagreb, na Croácia, demonstrou que a espécie mantém atividade reprodutiva funcional tanto em ambiente natural quanto no interior de gaiolas marinhas de aquicultura comercial na região. A constatação amplia o conhecimento sobre a dinâmica populacional do estoque do Atlântico Leste e Mediterrâneo, revelando que o Adriático atua como um habitat de desova complementar de grande relevância ecológica e aquícola.

Acompanhamento abrangente de populações selvagens e cultivadas

Durante a temporada reprodutiva de 2024, entre os meses de abril e julho, a equipe de pesquisadores analisou um total de 317 exemplares de atum-azul oriundos de tanques-rede comerciais e 16 indivíduos selvagens capturados em águas croatas. O estudo quantificou parâmetros biológicos cruciais, incluindo a proporção sexual, variação do índice gonadosomático, dinâmica de desenvolvimento dos oócitos, fecundidade por lote, frequência de postura de ovos e fatores de condição corporal. As amostras dos peixes cultivados e selvagens foram avaliadas de forma independente para comparar o desempenho fisiológico em ambos os ambientes.

Evidências histológicas e frequência de postura de ovos

As análises histológicas detalhadas das gônadas femininas confirmaram que a espécie adota uma estratégia de desova assíncrona por lotes. Fêmeas aptas a reproduzir e em desova ativa, identificadas microscopicamente pela presença de oócitos hidratados e folículos pós-ovulatórios, ocorreram de meados de maio a meados de junho, período que coincidiu com os maiores valores do índice gonadosomático e elevação da temperatura superficial do mar. A frequência de desova foi estimada em um intervalo médio de 1,7 dias para os peixes em tanques de cultivo e 1,4 dias para os indivíduos selvagens.

Subsídios para o manejo sustentável e a gestão de estoques

Embora a estrutura de tamanho do atum-azul registrado no leste do Adriático reflita uma população em geral menor e mais jovem quando comparada às zonas históricas de desova do Mediterrâneo Ocidental, a atividade reprodutiva demonstrou-se plenamente funcional. Em um cenário de mudanças climáticas e aquecimento gradual dos oceanos, áreas com temperaturas ligeiramente mais amenas como o Adriático podem assumir papel estratégico para a sobrevivência e reprodução da espécie. Essas evidências fornecem dados essenciais para refinar a avaliação de estoques e orientar medidas de manejo espacial no âmbito da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT).

Fonte: Reproductive assessment of farmed and wild Atlantic bluefin tuna (Thunnus thynnus) in the eastern Adriatic Sea during the spawning season

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