O desafio sanitário na carcinicultura
A expansão da produção intensiva de camarão tem enfrentado sérios gargalos devido a surtos de doenças bacterianas e virais. Em ambientes de alta densidade e baixa salinidade, infecções causadas por Vibrio parahaemolyticus provocam danos hepatopancreáticos severos, retardo no crescimento e alta mortalidade. Para contornar esse problema sem o uso de antibióticos, o setor busca aditivos funcionais que unam as propriedades minerais da azomite à ação imunoestimulante da quitosana.
A formulação das dietas e o experimento
O grupo de cientistas testou quatro rações com diferentes níveis de inclusão do quelato de azomite-quitosana: 0, 750, 1500 e 3000 mg/kg. Juvenis de Litopenaeus vannamei foram alimentados com essas dietas ao longo de 56 dias em águas de baixa salinidade, variando entre 0,5 e 1,0‰. Após esse período de cultivo, os camarões foram submetidos a um teste de desafio patogênico com a injeção da bactéria Vibrio parahaemolyticus para avaliar a resistência real dos organismos.
Estímulo ao crescimento e digestão
Os animais alimentados com a dose de 3000 mg/kg apresentaram um ganho de peso 9,8% superior em comparação ao grupo controle. Os autores constataram que o aditivo estimulou a atividade da tripsina, uma enzima digestiva crucial para a assimilação de proteínas nesta espécie. Além disso, a análise histológica revelou um aumento expressivo no número de células R e B no hepatopâncreas, indicando maior capacidade de absorção e armazenamento de nutrientes.
Fortalecimento intestinal e modulação da microbiota
A estrutura do intestino dos camarões também respondeu positivamente à suplementação com o quelato mineral. Houve um aumento na largura das vilosidades intestinais e na espessura da camada muscular, melhorando o peristaltismo e a integridade da barreira física contra patógenos. Na microbiota intestinal, o aditivo aumentou a abundância relativa do filo Bacillota, associado a efeitos benéficos, e reduziu a presença de gêneros potencialmente nocivos, como Mycobacterium.
Proteção contra infecções bacterianas
O impacto mais contundente ocorreu no sistema imune e na sobrevivência pós-infecção. A atividade de enzimas antioxidantes e imunológicas na hemolinfa, como a superóxido dismutase e a fosfatase ácida, aumentou significativamente em todos os grupos suplementados. No teste de desafio biológico, enquanto o grupo controle registrou uma mortalidade acumulada de 58,3%, os camarões que receberam 3000 mg/kg do aditivo tiveram a mortalidade reduzida para apenas 20,8%, confirmando a eficácia do composto.
