Nova técnica de pressão hidrostática gera tambaquis estéreis e com crescimento acelerado

O tambaqui (Colossoma macropomum) é a espécie nativa mais cultivada no Brasil, mas os produtores enfrentam um grande obstáculo: a maturação sexual precoce. Quando o peixe entra na fase de puberdade, o seu crescimento abranda, a qualidade da carne diminui e o animal torna-se mais susceptível a doenças. Para solucionar este problema, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), da Embrapa Pesca e Aquicultura, da FIOCRUZ Amazônia e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em colaboração com o instituto norueguês Nofima, desenvolveram um protocolo inovador para a produção de peixes triplóides.

O processo de triploidização

A triploidização é um processo biológico que resulta num indivíduo com três conjuntos de cromossomas em vez de dois, o que geralmente induz a infertilidade. Ao contrário de tentativas anteriores que utilizavam choques térmicos com baixa eficiência, este estudo aplicou pressão hidrostática de 8000 psi (libras por polegada quadrada) nos ovos recém-fertilizados. Os cientistas descobriram que o momento ideal para o choque é aos 95 segundos após a fertilização, mantendo a pressão por 90 segundos. Esta configuração permitiu atingir uma taxa de 100% de triploidização sem comprometer a sobrevivência dos embriões.

Resultados para o setor produtivo

Os resultados observados no campo foram muito promissores para o setor produtivo. Durante os primeiros seis meses de criação em viveiros de terra, os tambaquis triplóides apresentaram peso, altura e comprimento significativamente superiores aos dos peixes comuns. Além do crescimento mais rápido, as análises detalhadas dos tecidos reprodutivos confirmaram que estes animais são totalmente estéreis. Enquanto os peixes diplóides (comuns) já atingiam a maturação sexual, os triplóides permaneciam imaturos, direcionando toda a energia da alimentação para o ganho de massa muscular.

Biossegurança e sustentabilidade

Esta descoberta constitui um avanço importante para a biossegurança e sustentabilidade da aquicultura em larga escala. A esterilidade funciona como uma barreira de protecção ambiental, impedindo que peixes que escapem das instalações cruzem com populações selvagens, o que evita a mistura genética e preserva a integridade da fauna nativa. Economicamente, a técnica permite uma produção mais eficiente, reduzindo os prejuízos causados pela maturação precoce e aumentando o rendimento dos criadores. A utilização de peixes estéreis é vista como uma solução sustentável para atender à crescente procura global por proteína.

Fonte: Development of a pressure-induced triploidy protocol and its effects on growth performance and fertility in tambaqui Colossoma macropomum (Cuvier, 1816)

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