Bactérias de cultivo de caranguejos são a nova aposta para destruir microplásticos na água

A poluição por plásticos atingiu um nível crítico no mundo todo, e os ecossistemas aquáticos sofrem com o acúmulo de microplásticos, que são pequenas partículas medindo até cinco milímetros. Para combater esse grave problema ambiental, um grupo de pesquisadores de instituições da Malásia, de Bangladesh e da Nigéria, incluindo a Universiti Malaysia Terengganu, investigou uma solução promissora diretamente na aquicultura. O estudo avaliou a capacidade de duas bactérias formadoras de bioflocos, isoladas de uma fazenda comercial de caranguejos, de quebrar e consumir três dos plásticos mais comuns do planeta: o polietileno, o polipropileno e o poliestireno.

As bactérias utilizadas na pesquisa foram a Bacillus tropicus e a Cytobacillus firmus, que são microrganismos conhecidos por sua forte capacidade de formar agregados e biofilmes. Durante o experimento de sessenta dias, os cientistas observaram que a degradação dos microplásticos ocorre em etapas, começando pela fixação das bactérias na superfície do material. A bactéria Bacillus tropicus apresentou uma característica chamada hidrofobicidade de superfície celular muito superior, alcançando até 79,16% de eficiência em se ligar a compostos que repelem água, o que permitiu uma forte e decisiva adesão ao plástico. Após essa fixação, os microrganismos secretam enzimas chamadas hidrolases, que atuam para quebrar as longas cadeias do plástico e utilizá-lo como fonte de carbono para seu próprio crescimento.

Os resultados revelaram que a eficiência da limpeza depende intimamente da combinação entre o tipo de bactéria e o tipo de plástico. A bactéria Bacillus tropicus se destacou como a grande vencedora do experimento, conseguindo reduzir o peso do poliestireno em pouco mais de 11%. Em contrapartida, a Cytobacillus firmus teve um desempenho muito inferior, com apenas 1,23% de degradação ao tentar consumir o polipropileno. Imagens de microscopia eletrônica de varredura comprovaram a ação das bactérias mais eficientes, mostrando que a superfície antes lisa dos microplásticos ficou cheia de buracos, rachaduras e ranhuras, confirmando a destruição física do material.

Essa descoberta é extremamente valiosa para o setor aquícola, pois mostra que as bactérias formadoras de bioflocos podem ir além da simples manutenção da qualidade da água e nutrição dos animais cultivados. Essas bactérias específicas provaram ser ferramentas em potencial para a biorremediação, um processo ecologicamente correto que usa seres vivos para limpar áreas contaminadas. Entender os mecanismos químicos e físicos que tornam a Bacillus tropicus tão eficiente abre portas para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas e sustentáveis no combate à poluição nos oceanos e locais de cultivo.

Fonte: Comparative, polymer-specific degradation of polyethylene, polypropylene and polystyrene microplastics by floc-forming bacteria from mud crab aquaculture systems

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