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    Jejum e crescimento compensatório reduzem custo de ração no cultivo de pirarucu

    O pirarucu (Arapaima gigas), um dos gigantes da bacia amazônica, já é conhecido no setor aquícola por seu crescimento acelerado e eficiência produtiva. Agora, um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Nacional del Santa, no Peru, em parceria com institutos da Argentina, revela que o manejo alimentar estratégico pode tornar essa espécie ainda mais rentável. A pesquisa investigou como protocolos de jejum seguidos de realimentação influenciam o desempenho do peixe, trazendo descobertas importantes para a sustentabilidade econômica da atividade.
    Para avaliar o potencial do chamado “crescimento compensatório”, fenômeno em que o animal acelera seu ganho de peso após um período de restrição, os cientistas dividiram juvenis de pirarucu em dois grupos. Enquanto o grupo controle foi alimentado continuamente até a saciedade, o grupo tratado passou por um jejum total de duas semanas, seguido por três semanas de realimentação. Durante a fase de privação, observou-se perda de peso e redução no tamanho do fígado dos animais, uma resposta fisiológica esperada para a conservação de energia.

    No entanto, os resultados obtidos após a retomada da alimentação foram surpreendentes. Os peixes demonstraram uma capacidade notável de recuperação, com o fígado retornando ao tamanho normal em apenas uma semana. Mais importante ainda, o grupo submetido ao jejum apresentou taxas de crescimento específicas superiores às do grupo controle durante a realimentação. A análise genética do fígado mostrou que, ao voltar a comer, o organismo do pirarucu ativou rapidamente vias metabólicas ligadas à regeneração de tecidos e produção de energia, otimizando o aproveitamento dos nutrientes.

    O dado de maior impacto para o produtor é a eficiência no uso do alimento. O estudo apontou que o grupo que passou pelo jejum consumiu 51% menos ração ao longo de todo o experimento em comparação aos peixes alimentados continuamente. Além disso, a Conversão Alimentar (CA) — índice que mede quantos quilos de ração são necessários para produzir um quilo de peixe — atingiu valores excepcionalmente baixos, chegando a cerca de 0,5 na primeira semana de realimentação. Isso indica uma transformação de alimento em biomassa muito superior à média de outras espécies cultivadas.

    Essas descobertas sugerem que o pirarucu possui uma plasticidade fisiológica robusta, permitindo a implementação de estratégias de alimentação que não apenas reduzem os custos operacionais, mas também diminuem o impacto ambiental da produção através da redução de resíduos. Embora os peixes do grupo tratado não tenham alcançado o mesmo peso final do controle no curto período do teste, a economia gerada e a recuperação acelerada abrem portas para novos modelos de manejo na aquicultura amazônica.

    Gostaria de se aprofundar nos detalhes técnicos sobre a expressão gênica e a fisiologia do pirarucu? Recomendamos a leitura do artigo completo.

    Fonte: Physiological and transcriptomic responses to fasting-refeeding in Arapaima gigas, publicado na revista Aquaculture

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