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    Pesquisa revela como transformar pele e escamas de tilápia em antioxidantes de alto valor

    O processamento de filés de tilápia gera grande volume de subprodutos que podem ser transformados em antioxidantes de alto valor agregado. O processamento de filés de tilápia gera uma grande quantidade de subprodutos, como cabeças, nadadeiras, pele e escamas, que muitas vezes são descartados e geram preocupações ambientais. Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Agrícola de Hebei, na China, em parceria com a Universidade de Otago, na Nova Zelândia, aponta uma solução promissora para valorizar esses resíduos. Os cientistas investigaram como extrair gelatina da pele e das escamas do peixe e transformá-la em peptídeos com alta atividade antioxidante, oferecendo uma alternativa sustentável à gelatina derivada de mamíferos.

    A hidrólise enzimática permitiu transformar a gelatina de tilápia em peptídeos bioativos com potencial para alimentos funcionais. Para realizar o estudo, a equipe extraiu gelatina tanto da pele quanto das escamas da tilápia e aplicou um processo chamado hidrólise enzimática. Essa técnica utiliza enzimas específicas para quebrar as proteínas da gelatina em fragmentos menores. Os pesquisadores testaram quatro proteases comerciais diferentes: tripsina, pepsina, bromelina e protease alcalina, com o objetivo de identificar qual delas produziria os hidrolisados com maior potencial bioativo para uso em alimentos funcionais.

    A gelatina extraída das escamas apresentou maior estabilidade estrutural do que a obtida da pele. As análises estruturais revelaram diferenças importantes entre as matérias-primas. A gelatina extraída das escamas demonstrou uma estrutura mais estável do que a da pele, apresentando níveis mais elevados dos aminoácidos prolina e hidroxiprolina, além de um maior conteúdo de folhas-beta na sua organização molecular. Essa estabilidade estrutural influencia diretamente a forma como as enzimas atuam sobre o material, afetando a liberação dos peptídeos bioativos durante o processamento.

    A combinação de gelatina de escamas com protease alcalina gerou os hidrolisados com maior atividade antioxidante. Os resultados mostraram que os hidrolisados produzidos com as enzimas protease alcalina e tripsina apresentaram as melhores atividades antioxidantes. O destaque foi para a combinação da gelatina de escamas tratada com protease alcalina. A análise detalhada revelou que este processo gerou a maior proporção de pequenos peptídeos (entre 0 e 2 kDa), que são associados a uma maior eficácia antioxidante. Isso sugere que a escolha correta da enzima e da fonte da gelatina é crucial para a produção direcionada de compostos funcionais.

    O aproveitamento de escamas de tilápia oferece uma rota sustentável para produzir antioxidantes naturais de alto valor. O estudo conclui que a utilização de subprodutos da tilápia, especialmente as escamas, é viável para a obtenção de ingredientes de alto valor agregado. Além de resolver um problema de descarte na aquicultura, a tecnologia oferece uma base teórica para o desenvolvimento de antioxidantes naturais que podem substituir produtos sintéticos e atender consumidores que evitam gelatinas suínas ou bovinas por questões religiosas ou de saúde.

    O trabalho fornece base técnica para aplicações industriais na valorização de resíduos da aquicultura. Para conferir os detalhes técnicos sobre as condições de hidrólise e o perfil.

    Fonte: Structural characterization and enzymatic hydrolysis of tilapia skin andscale gelatin: Antioxidant properties and peptide profiling of hydrolysates

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