Alternativas naturais na dieta da tilápia vermelha
A aquicultura busca constantemente alternativas naturais aos antibióticos para combater doenças e melhorar a produção de forma sustentável. A tilápia vermelha, um peixe híbrido muito popular no setor devido ao seu rápido crescimento e carne saborosa, frequentemente enfrenta sérios desafios com infecções bacterianas nas fazendas. Para tentar solucionar esse problema, pesquisadores de instituições como a Aswan University e a Arish University, no Egito, além da United Arab Emirates University, investigaram o uso da planta Lagenaria siceraria. Eles testaram a inclusão do pó do fruto dessa planta, popularmente conhecida como porongo ou cabaça, diretamente na dieta dos peixes.Durante um período de 70 dias, alevinos de tilápia vermelha foram alimentados com rações contendo diferentes quantidades do pó do fruto: 2, 4 e 6 gramas por quilograma de ração, além de um grupo controle que não recebeu o suplemento. Os resultados mostraram que o crescimento dos animais e o conteúdo de proteína bruta da carne melhoraram de forma expressiva conforme a dose do fruto na dieta aumentava. A estrutura do intestino das tilápias também apresentou uma melhora notável, desenvolvendo vilosidades mais longas e ramificadas, o que amplia a área de contato e facilita a absorção dos nutrientes.
Melhorias na saúde e no metabolismo
Além do ganho de peso, a saúde interna e o metabolismo das tilápias foram fortalecidos. O consumo do pó de Lagenaria siceraria aumentou a atividade das enzimas digestivas e os níveis de proteínas benéficas no sangue, como a albumina e a globulina. O sistema imunológico dos peixes ficou muito mais ativo, fato evidenciado pelo aumento na contagem de glóbulos brancos, chamados de WBC (do inglês White Blood Cells), e na capacidade das células de defesa de engolir e destruir agentes invasores. Paralelamente, os marcadores de estresse e danos no fígado, como as enzimas AST (Aspartato Aminotransferase) e ALT (Alanina Aminotransferase), diminuíram significativamente, indicando um órgão protegido e com estrutura preservada.
Taxas de sobrevivência contra bactérias
A prova final da eficácia do novo suplemento ocorreu durante um desafio prático de saúde contra a bactéria patogênica Enterococcus faecalis. Os peixes que não receberam o pó do fruto na ração tiveram apenas 37% de taxa de sobrevivência após a infecção bacteriana. Em contrapartida, as taxas de sobrevivência deram um salto para 60%, 68% e impressionantes 81% nos grupos alimentados com 2, 4 e 6 gramas do suplemento vegetal, respectivamente. Os cientistas concluíram que a dosagem de 6 gramas por quilograma de ração entregou os resultados mais significativos em quase todos os testes, consolidando a Lagenaria siceraria como uma adição alimentar sustentável e altamente benéfica para a aquicultura comercial.
Estudo completo
Para compreender todos os detalhes das análises genéticas e explorar a fundo a metodologia histológica deste estudo promissor, convidamos você a acessar e ler o artigo científico completo publicado na revista Aquaculture Reports.










