Variação marcante entre ambiente natural e cultivo
Para determinar a composição do filé, os autores realizaram análises de umidade, cinzas, proteínas por Kjeldahl e lipídios totais por extração Soxhlet, além de espectrometria de emissão atômica por plasma de micro-ondas para quantificar minerais. Os resultados revelaram que o teor de umidade variou entre 64% e 71%, enquanto a proteína bruta oscilou de 15,57% a 17,20%.
Todos os lotes ultrapassaram a marca de 10% de lipídios totais, com índices de 12,51% a 14,72%, o que classifica o pacu como um peixe gordo de alto valor energético. Os peixes capturados no rio apresentaram as maiores concentrações de gordura e de cálcio, ao passo que os sistemas de cultivo exibiram teores proteicos ligeiramente superiores ou retenções minerais específicas associadas ao ambiente.
Perfil lipídico saudável e síntese de ácidos graxos
A fração lipídica foi amplamente dominada por ácidos graxos insaturados em todos os sistemas, com destaque para os ácidos linoleico, palmitoleico e oleico. Os ácidos graxos poli-insaturados responderam por cerca de metade do perfil total, garantindo uma relação poli-insaturados/saturados favorável à saúde cardiovascular humana em todos os tratamentos.
A principal divergência ocorreu nos ácidos graxos de cadeia longa ômega-3. Os exemplares criados em viveiros artificiais controlados alcançaram teores significativamente superiores de DHA (6,02%), resultando em uma relação ômega-6/ômega-3 substancialmente menor (4,55) quando comparada aos demais grupos, cujas razões variaram de 18,18 a 24,67. Níveis de EPA permaneceram baixos em todas as amostras, padrão típico de peixes dulcícolas.
Assinatura mineral e relevância para o setor
A análise multivariada confirmou que cada sistema confere uma assinatura química própria ao pescado. O pacu proveniente do consórcio com erva-mate destacou-se pelas maiores concentrações de ferro e potássio, reflexo provável da interação com os solos lateríticos ricos em ferro da província de Misiones. Já os tanques controlados acumularam mais magnésio e sódio.
Os dados demonstram que fatores ecológicos, manejo nutricional e características do sedimento atuam em sinergia para moldar o valor funcional do pacu. A caracterização fornece subsídios fundamentais para atualizar tabelas de composição de alimentos e permite que a indústria aquícola direcione estratégias de alimentação para agregar valor mercadológico ao produto final.
