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Resíduos de ouriço-do-mar nutrem poliquetas e macroalgas em cultivo integrado

Pesquisadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e da rede ARNET, vinculados ao Politécnico de Leiria e à Universidade de Lisboa, em Portugal, demonstraram a viabilidade técnica de um sistema aquícola multitrófico integrado de baixo nível trófico. O modelo combinou o ouriço-do-mar (Paracentrotus lividus) como espécie alimentada, o poliqueta (Hediste diversicolor) para aproveitamento dos resíduos sólidos e a macroalga (Ulva rigida) para a assimilação de nutrientes dissolvidos em circuito fechado de recirculação.

Pressão sobre estoques e gargalos da produção

A demanda contínua pelas gônadas do ouriço-do-mar na Europa tem pressionado as populações naturais, enquanto a sua engorda em cativeiro ainda enfrenta limitações pelo longo tempo de cultivo. Para contornar esses gargalos e reduzir a pegada ecológica da atividade, a aquicultura multitrófica integrada surge como estratégia para reaproveitar resíduos orgânicos e inorgânicos na geração de novas biomassas comerciais.

Configuração em sistema de recirculação

Durante cinco semanas, a equipe experimental avaliou o desempenho dos organismos em unidades de recirculação de água e comparou a resposta do consórcio com monocultivos. Os ouriços receberam ração formulada à base de algas com 25,9% de proteína bruta, enquanto os poliquetas se alimentaram exclusivamente das fezes e restos particulados gerados pelos equinodermos nos tanques de cultivo.

Crescimento acelerado e alto valor nutricional

Os poliquetas apresentaram taxa de crescimento específico expressiva, variando entre 7,1% e 7,8% ao dia, com sobrevivência em torno de 85% a 86% e produtividade areal de até 3,0 gramas por metro quadrado ao dia. A biomassa final de Hediste diversicolor atingiu cerca de 44% de proteína bruta e 10% de lipídios na matéria seca, comprovando que os dejetos de ouriço servem como dieta eficiente mesmo sem aportes de rações altamente proteicas.

Reciclagem de nutrientes e qualidade bioquímica

A macroalga Ulva rigida alcançou crescimento de 2,0% ao dia no sistema integrado, registrando 22,8% de proteína bruta e perfil lipídico diferenciado, com 24,8 microgramas de ácidos graxos totais por miligrama e razão ômega-3/ômega-6 próxima a 11. Além disso, a presença do vegetal colaborou na dinâmica do sistema, promovendo a redução do nitrato dissolvido na água de 8,8 para teores entre 4,5 e 5,9 miligramas por litro ao longo do ensaio.

Diversificação produtiva com menor descarte

Os resultados demonstram que o aproveitamento em cascata de efluentes permite agregar valor à cadeia do ouriço-do-mar, fornecendo ingredientes de alta qualidade para rações e iscas vivas a partir de espécies extrativas. De acordo com os autores, as etapas seguintes devem concentrar esforços no equilíbrio de biomassa entre os componentes para ampliar a biofiltração e garantir estabilidade operacional em longo prazo.

Fonte: Biomass production and nutrient dynamics in a low-trophic IMTA system integrating sea urchins, polychaetes and macroalgae

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