Lacuna regulatória e limites da termonarcose
No Brasil, a Instrução Normativa nº 365 estabelece que todos os animais destinados ao consumo humano passem por insensibilização antes do abate. No entanto, o setor ainda carece de normas técnicas específicas voltadas às particularidades fisiológicas das tilápias.
Para suprir essa exigência, é utilizada amplamente a termonarcose, que consiste no resfriamento em água gelada. Apesar de comum no processamento industrial, o procedimento não é recomendado por comitês de ética e especialistas em bem-estar animal, o que tem acelerado o desenvolvimento de soluções alternativas.
Adaptação tecnológica e integração multidisciplinar
Diante desse desafio, o estudo avalia a viabilidade da insensibilização percussiva, tecnologia já consolidada na bovinocultura, mas pioneira quando adaptada aos peixes. Os ensaios avançaram com a visita do pesquisador sueco Albin Gräns, especialista em fisiologia animal, que esteve na UEL para acompanhar os protocolos de resposta neurológica.
A iniciativa reúne equipes multidisciplinares dos Centros de Ciências Biológicas (CCB), Ciências Agrárias (CCA) e Ciências Exatas (CCE) da instituição paranaense, em cooperação contínua com os pesquisadores da Suécia e da FAI Farms.
Impactos na estrutura e na conservação do filé
Além dos critérios humanitários, o estudo afere a conservação e o rendimento da carne. As análises laboratoriais monitoram variáveis fundamentais para a indústria, incluindo pH muscular, capacidade oxidativa, retenção de cor, textura dos filés, estabilidade microbiológica e integridade da estrutura celular em nível microscópico.
Como a tilápia representa o principal segmento da piscicultura comercial no país, o estabelecimento de protocolos éticos e eficazes de pré-abate é apontado como indispensável para conciliar a expansão dos volumes de produção às exigências sanitárias e aos padrões de bem-estar dos mercados consumidores.
Fontes: O Perobal – UEL
